Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 01/07/2021
No filme “Meninas Malvadas”, a personagem Regina George é a jovem classificada como a “abelha rainha” do colégio. Na obra cinematográfica, Regina inspira o comportamento de todas as garotas da escola, que repetem os hábitos de consumo de George. Fora da ficção, percebe-se que, no Brasil hodierno, os influenciadores digitais têm impactos nas decisões de consumo dos usuários, em razão da importância dos chamados “influencers” no meio midiático e da facilidade em atingir o público por meio de métodos publicitários. Destarte, faz-se necessário um debate acerca dos impactos em questão.
A príncipio, é lícito destacar a relevância dos influenciadores na mídia como fator que possibilita o impacto dessas pessoas nas decisões de consumo. Nesse contexto, a pesquisa GlobalWebIndex revela que o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking de nações que mais passam tempo nas redes sociais. Assim, cada vez mais empresas apresentam seus produtos mediante a imagem das celebridades digitais. Isto posto, é notório que o usuário, ao associar a imagem do influenciador ao produto, sente-se motivado ao consumo da marca. Nessa perspectiva, o filósofo Adorno apontou que a indústria cultural faz com que o consumidor se sinta soberano, enquanto é, na verdade, o seu objeto. Destarte, é essencial superar esses paradigmas, uma vez que eles retiram a autonomia de compra dos clientes.
Outrossim, é possível somar aos aspectos supracitados as estratégias publicitárias utilizadas que facilitam a chegada das marcas por intermédio dos influenciadores até os consumidores como causa dos efeitos das estrelas digitais nos hábitos de consumo. Sob esse viés, técnicas comuns de publicidade, como enaltecimento do produto e verbos no imperativo, somadas à imagem e à relevância desses novos publicitários, proporcionam aos influenciadores a capacidade de mudar e de criar as decisões de consumo dos compradores. Dessa forma, cabe apontar que esses impactos podem envolver a criação de hábitos saudáveis, como se exercitar e comer bem, por exemplo, mas também podem compreender perigos como alienação e dependência, sendo necessária uma resolução do revés.
Em virtude dos fatos elencados, são fundamentais ações que visem minimizar os impactos negativos dos influenciadores digitais nas decisões de consumo. Logo, a máquina governamental federal, aliada à esfera judicial, deve direcionar verbas para a elaboração de projetos e de leis, por meio de verbas direcionadas e de contratação de especialistas, para fiscalizar as publicidades do meio digital, a fim de extinguir qualquer influência que possa causar problemas para os consumidores, como práticas que prejudicam a saúde mental e física das pessoas. Ainda, a mídia precisa usar dos mesmos mecanismos para expor os perigos de entregar os hábitos de consumo as mãos de qualquer influenciador. Com essas medidas, o Brasil terá menos seguidores como os seguidores de Regina George.