Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 02/07/2021
Luisa Mell é uma influenciadora digital que já incentivou, por meio das suas redes digitais, a adoção de muitos animais em situação de abandono. Paralelamente, o papel do influenciador também é notório nas decisões de consumo, uma vez que, por conta dos milhares de seguidores nas diversas redes sociais, esse profissional é responsável por ditar as tendêncas do mercado. Entretanto, apesar do exemplo positivo de Luisa, a influência nas relações de consumo é, geralmente, negativa. Sob esse viés, é necessário analisar como o consumismo gerado pelos influenciadores, bem como a priorização dos interesses financeiros, contribuem para esse problema.
Em primeiro plano, é relevante abordar, com uma perspectiva crítica, o consumismo gerado pelos influenciadores da internet. Sob essa lógica, é importante pontuar que o espaço virtual deve ser, antes de tudo, democratizador, contudo, as tendências divulgadas por esses profissionais, muitas vezes, são opressoras. Isso ocorre porque uma parcela significativa dos produtos anunciados por eles não possui evidência científica e, consequentemente, o público influenciado é enganado por não analisar criticamente a situação, o que configura, por conseguinte, a relação opressora. Para exemplificar, em janeiro de 2021, Flay, ex-BBB e influencer, foi criticada na internet por divulgar um creme redutor de medidas, o qual não possui eficácia comprovada. Dessa forma, tal situação vai contra o pensamento de Pierre Bourdieu, pois ele afirma que um instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão.
Outrossim, os interesses financeiros amplificam os impactos negativos dos influenciadores nas decisões de consumo. Nesse sentido, de acordo com Karl Marx, o lucro em uma sociedade capitalista se sobrepõe ao valores morais. Tendo isso em vista, casos como o de Flay são comuns na internet, o que gera um grave problema social, pois em razão da falta de um código ético os itens promovidos não seguem um protocolo honesto. Assim, a sociedade se encontra alienada e vítima dessa conjuntora opressora que visa o consumo acima do bem-estar social.
Faz-se fulcral, portanto, medidas que promovam o impacto positivo dos influenciadores digitais nas decisões de consumo. Destarte, cabe ao Ministério das Comuniações a criação e a fiscalização de um programa, que pode se chamar “Influência democrática”, o qual estabeleça um código de ética com critérios para a publicidade saudável na internet, como a proibição de anúncios de produtos sem eficácia. Ademais, a fiscalização deve ser feita por meio das redes sociais do Ministério, a fim de promover relações de consumo conscientes e interesses financeiros éticos. Desse jeito, os influenciadores terão um papel efetivo para a sociedade, assim como Luisa Mell.