Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 03/07/2021

A partir da mecanização da produção, o estímulo ao consumo tornou-se um fator primordial para a manutenção do sistema capitalista. De acordo com Karl Marx, o filósofo alemão do século XIX, para que esse incentivo ocorresse, criou-se o fetiche sobre a mercadoria: constrói-se a ilusão de que a felicidade será alcançada a partir da compra de um produto. Analogamente a isso, influenciadores digitais, surgidos no século XXI, impactam as pessoas, convencendo-as a consumirem produtos por eles divulgados, não medindo as consequências que podem causar, como o aumento de uma sociedade endividada e consequentemente abalada psicologicamente pelo endividamento.

Em primeira análise, “influencers” contribuem no crescimento de pessoas endividadas, tornando isso uma problemática a ser resolvida. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), no último mês de 2020, 66,3% dos consumidores estavam endividados. Visto isso, fica evidente que a população é convencida de forma direta e indireta pelos influenciadores, como por exemplo, no uso de um acessório, elogiando-o, e mostrando como adquiriu e onde, despertando o interesse dos seguidores que podem a todo preço adquirirem o produto. Diante disso, medidas governamentais devem entrar em vigor para o decréscimo da porcentagem dos endividados.

Além disso, o endividamento pelo excesso de consumo pode causar problemas psicológicos. De acordo com o exposto no Congresso Internacional de Administração, em 2018, dívidas e a consequente falta de dinheiro podem vir a somar para o desenvolvimento de depressão e sensação de tristeza. Nesse sentido, percebe-se que as pessoas influentes trazem consigo o poder de gerar no seu público o endividamento e deprimência. Assim, sem a presença de interventores que ajudem os consumidores a tomarem decisões racionais de compra, esse impasse terá sua resolutiva dificultada.

Portanto, é preciso que o Estado tome providências para a resolução do quadro atual. Logo, o Ministério da Cidadania, em parceria com as redes de televisões, deve criar um programa voltado ao público adulto, com o tema sobre a Educação Financeira e como “blindar-se” nessa sociedade do consumo, programa esse  que contará com economistas e psicólogos, para abordarem o tema com mais propriedade, com o fim de impactarem as pessoas, auxiliando-as a decidirem racionalmente quando e como irão consumir, não se deixando influenciar digitalmente.