Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 05/07/2021

Influenciar pessoas é uma arte que não é inerente a todos. Muitos tentam aprendê-la de diversas formas, não à toa o livro Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, de Dale Camegie, é um best seller. No entanto, é importante utilizar esse poder de influência com consciência. Atualmente, a ideia de perfeição passada por muitos nas redes sociais faz com que as pessoas busquem cada vez mais por um padrão inexistente. Além disso, muitos influenciadores utilizam de seu poder comunicacional para gerar um comportamento de manada, que chega a ser perigoso para toda a sociedade.

A princípio, é importante observar o fenômeno dos influenciadores como algo antigo na sociedade de mercado. Antigamente, antes da internet, personalidades da mídia influenciavam o consumo por meio da televisão, mas havia um filtro nesse meio de comunicação de massa. Atualmente, isso acontece em larga escala nas redes sociais. Além disso, a ideia de perfeição é transmitida por muitas influenciadoras de forma irresponsável nas mídias digitais de tal forma que impulsiona muitas pessoas a buscarem uma maneira de seguir e alcançar tal perfeição. Não obstante, segundo a Academia Americana de Cirurgia Facial, Plástica e Reconstrutiva, 55% dos cirurgiões plásticos faciais atenderam pacientes que fizeram procedimentos estéticos para aparecer melhor em fotos nas redes.

Outrossim, não é só o corpo que as pessoas são levadas a mudar pelos influenciadores. É inegável que as redes sociais tenham permitido que indivíduos com pensamentos consonantes tenham se encontrado, mas detentores da arte de influenciar aproveitam-se disso para propagar seus ideais e se apresentarem como líderes de movimentos, ditando regras e radicalizando pensamentos, gerando, assim, o comportamento de manada. São exemplos disso os movimentos antivacina, terraplanista e conspiracionistas em geral. Com isso, tais movimentos, sempre tendo uma personalidade como representante mor da comunidade, moldam a forma como os participantes consomem informações. Ou seja, os influenciadores podem moldar o comportamento de consumo de produtos, mas também podem moldar a percepção de realidade, moldando a forma como cada grupo informa-se.

Fica clara, portanto, a necessidade de que plataformas digitais, por meio do fortalecimento, da atualização de suas diretrizes e de palestras, fiscalizem com responsabilidade e instruam os influenciadores a fim de que eles usem a influência que têm de forma consciente. Ademais, é importante que as escolas, por meio de aulas de educação psicológica, fomentem o pensamento crítico e oriente na formação psicológica dos alunos para que eles sejam capazes de discernir entre uma boa influência e uma pessoa que quer tirar proveito de ideais. Assim, a sociedade será mais sã e alcançar-se-á um produção e consumo conscientes de conteúdo.