Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 07/07/2021

“A tecnologia move o mundo”. Steve Jobs - fundador da Apple - afirma que as relações pessoais, econômicas e políticas existentes no mundo dependem nitidamente das ferramentas tecnológicas. Contudo, percebe-se que, ultimamente, as redes sociais vêm se tornando o principal palco para influenciadores digitais induzirem seus seguidores a tomarem certas decisões de consumo. Dessa forma, entende-se que o desejo dos internautas por se adequar ao padrão imposto, bem como a ineficácia do controle de dados por parte das redes, apresentam-se como entraves para a resolução do problema.

É relevante abordar, primeiramente, o impacto da constante aspiração dos usuários em se enquadrarem nos estilos estipulados pelos “influencers”. De acordo com o escritor britânico George Orwell, a mídia é a responsável por conduzir e influenciar as massas. Desse modo, os indivíduos, ao utilizarem as redes sociais, são expostos a enormes quantidades de propagandas, anúncios e “lifestyles”, dos quais muitos são divulgados pelos influenciadores digitais, criando uma falsa sensação de necessidade do produto ou ideia em seus seguidores, o que os levam consciente ou inconscientemente a buscar a posse de determinado conteúdo em detrimento de outros. Assim, uma vez estabelecido esse desejo, a alienação dos indivíduos, aliada ao exarcebado caráter consumista, corrobora para a manutenção desse ciclo.

Cabe destacar, ainda, que a ineficiência do monitoriamento digital também contribui negativamente para a persistência do impasse. Segundo os filósofos iluministas Diderot e D’Alembert, a democratização do conhecimento é fundamental para acabar com a alienação dos cidadãos. Entretanto, o que se observa, na verdade, é que há uma baixa disponibilidade de opções possíveis para o usuário devido a um forte monopólio do marketing de certos produtos e marcas gerenciados, principalmente, pelos influenciadores, dificultando e manipulando o acesso de mais informações para o público em um determinado meio virtual, como o Instagram.

Portanto, providências são necessárias para amenizar o quadro. A mídia deve garantir a coletivização das informações de consumo presentes nas redes sociais, por meio de acordos empresariais que estimulem a concorrência entre as marcas e produtos no cenário virtual a fim de assegurar o conhecimento público acerca das opções ofertadas, rompendo com a exclusividade do consumismo sob as marcas de seus influenciadores. Destarte, a tecnologia poderá auxiliar de maneira mais justa nas decisões sobre consumo.