Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 09/07/2021

O “fenômeno Juliette” retrata o impacto da influenciação no Brasil atual. Como exemplo, bastou ela usar um tênis de uma certa marca na saída de um aeroporto, que ele esgotou em pouco tempo. Todavia, esse fenômeno demarca uma situação bem além de Juliette e, constata a presença de um grupo denominado de “digital influenciers” nas redes sociais, referindo-se a um conjunto de pessoas com alto alcance de visualização e de marketing. Todavia, há de se analisar o porquê, fatores como, a não autonomia social e o ideal de consumismo moderno, se correlacionam com o impacto desses grupos nas decisões individuais.

Em primeiro lugar, faz-se necessário mencionar que, no Brasil, o poder que influenciadores digitais têm são decorrentes da falta de autonomia de muitos cidadãos. Nessa perspectiva, conforme o conceito de “falsa democracia”, o escritor José Saramago esclarece que existe uma ilusão de autonomia do povo, quando, de fato, quem detém o comando é o capitalismo. Por esse viés, percebe-se que as empresas utilizam a popularidade dos “influenciers” para favorecerem os lucros pelo estímulo ao consumo, de modo a aproveitar do marketing e da publicidade. Destarte, o molde econômico vigente é crucial na vida de todos e o papel desse grupos de influência favorece o poder econômico em detrimento ao autonomismo social.

Em segundo lugar, além da “falsa democracia”, existe um ideal de consumismo crescente, principalmente, a partir do século XXI, com a popularização das redes sociais e do surgimento desse influenciadores digitais. Por esse ideal, entende-se que a sociedade pós-industrial, termo cunhado pelo sociólogo Alain Touraine, é moldada para consumir. Com isso, portfólios, como YouTube e Instagram, são uma vitrine que corrobora ao estímulo consumidor e age como um mecanismo de grande impacto nas decisões do consumidor. Prova disso, segundo o médico Drauzio Varela, o fato de o  Brasil ser o campeão mundial em cirurgias plásticas não é atoa e as redes sociais têm sua culpa.

Portanto, medidas são necessárias para resolver esse impasse. Isto posto, cabe à escola, forte ferramenta de formação de opinião, realizar rodas de conversas com os alunos sobre a problemática do consumismo estimulado por influenciadores digitais. Essa ação pode se concretizar por meio da atuação de psicólogos e de sociólogos, estes irão debater acerca das diversas formas de persuasão ao  consumidor moderno e da necessidade de autonomia individual. Dessarte, com a finalidade de atenuar o impacto de “digital influenciers” nas decisões do ser, a sociedade desconstruirá a visão de “falsa democracia”, descrita por Saramago.