Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 08/07/2021

Com o “boom” da internet no Brasil entre 2010 e 2013, a opinião e os hábitos de consumo de grande parte da população passaram, desde então, a ser formados por meio das plataformas digitais e de seus influenciadores. Esse acontecimento trouxe diversos desdobramentos, tais como a interferência dos influenciadores nas decisões de consumo, levando o seu público a comprar algo desnecessário e a consideração do “ter” em detrimento do “ser”, em que vale tudo para se ter o que quer, colocando em cheque valores e princípios. Logo, convém analisar e discutir esses impactos que os influenciadores geram nas decisões de consumo, bem como apresentar uma possível medida a ser tomada.

Diante desse cenário, é possível observar que o consumismo - ação de comprar excessivamente e sem necessidade - tem aumentado nos últimos anos, e muito disso se deve a essa gama de “digitais influencers”. De acordo com um artigo da revista Forbes assinado por Mike Schmidt, o mercado dos influenciadores digitais movimentou mais de vinte bilhões de dólares ao redor do mundo, um valor muito expressivo e que mostra o impacto da publicidade e do marketing feito por eles. Entretanto, vale a reflexão sobre tamanho consumismo, sobre essa descomunal quantia de dinheiro gasta em produtos que não são necessários e muito menos essenciais para a vivência, e que, no fim, fazem jus à declaração de George Orwell: " A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa". Ou seja, a sociedade cada vez mais paga para ser controlada e influenciada pela mídia, vendendo sua liberdade através do consumismo.

Além disso, destaca-se a prática cada vez mais recorrente da “venda” de valores e princípios em troca da fama e do dinheiro, que afeta diretamente as decisões de consumo dos espectadores desses influenciadores digitais. Referente a isso, tem-se o polêmico caso da bogueira Paula Biazin que fez propaganda de um suposto remédio com efeito emagrecedor, atraindo a atenção e os bolsos de seus seguidores; entretanto, o remédio era falsificado e causava danos ao organismo. É inadmissível que esse tipo de situação continue ocorrendo, que “simples influencers” vendam seus valores e seu bom senso em troca de engajamento e publicidade, levando seu público ao consumo de produtos nocivos.

Destarte, compete aos administradores das redes sociais como “Instagram”, “Facebook”, “TikTok” e “YouTube” aumentar as regras e diretrizes de sua comunidade, por meio da criação setores que possam observar e acompanhar as publicidades e os produtos anunciados pelos influenciadores digitais, bem como sua segurança e veracidade. Outrossim, devem também fazer posts que os conscientizem sobre a responsabilidade que é ter influência sobre o público tão diverso das redes sociais. Espera-se, com isso, que haja a liberdade e a diminuição do impacto nas decisões de consumo dos espectadores.