Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 28/07/2021
Em um de seus contos, Machado de Assis afirma que, através do diálogo e da divulgação de ideias, é possível fazer um livro, um governo ou uma revolução. Fora das páginas, a ideologia do autor mostra-se plausível quando se percebe que o debate sobre influenciadores digitais e seus impactos nas decisões de consumo é imprescindível para solucionar os diversos desafios atrelados a isso. Nesse sentido, a padronização das decisões de compra e o fato de que tais figuras públicas são suscetíveis a mentirem se enquadram como principais problemas causados por tal influência.
De início, pode-se citar o filme “Meninas Malvadas”, disponível na Netflix, no qual a personagem Regina George usa sua popularidade para inspirar as demais garotas da escola, as quais passam a adquirir inquestionavelmente os mesmos hábitos de consumo da menina. Dessa maneira, percebe-se que, assim como as estudantes do colégio da protagonista, muitos internautas tornam-se alheios à sua autonomia de escolha por desejarem se encaixar em determinados padrões estéticos e sociais e passam a tomar decisões de compra inteiramente baseadas na opinião de figuras públicas. Sendo assim, é notório que há uma anulação da vontade própria do indivíduo e sustentação do consumismo desenfreado, uma vez que, visando se parecerem mais com os ídolos digitais, compram vários itens de que não precisam.
Ademais, faz-se importante salientar que não há como saber se os influenciadores estão emitindo sua real opinião sobre o produto, haja vista que boa parte é paga para conceder boas impressões e programada para manipular o público. Concomitantemente, é possível fazer um paralelo com a esquete “Vlogueira”, disponível no canal do Youtube do “Porta dos Fundos”, a qual ironiza criadores de conteúdo que enganam os seguidores divulgando uma ideia ilusória de vida perfeita e promovendo falsas indicações de mercadorias por dinheiro. Nessa perspectiva, torna-se necessário que o indivíduo desenvolva certo senso crítico para escolher por si mesmo o que deseja adquirir, impedindo que seja facilmente influenciado por terceiros.
Portanto, a fim de combater os impactos causados pelas personalidades digitais, urge que a mídia, grande difusora de informação e principal veículo formador de opinião, em parceria com o Ministério da Educação, incentive a população – por meio de propagandas de televisão e publicações nas redes sociais – a consumir somente quando necessário e buscar sempre pela veracidade do que foi dito nas plataformas online. Somente assim, a revolução idealizada por Machado de Assis ocorrerá.