Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 13/07/2021
Sócrates, filósofo ateniense clássico, criou o método “Maiêutica”, palavra grega que remete ao parto. Em suma, o pensador afirma que a partir desse método, os filósofos deveriam ser como parteiras e dar luz às ideias. Dessa forma, os influenciadores digitais são dotados da mesma capacidade que previu Sócrates, de conduzir os internautas ao conhecimento. Todavia, atualmente, observa-se uma influência negativa desse grupo nas decisões de consumo. Portanto, esse fato configura-se como um quadro a ser revertido pelo Estado. Para tanto, deve-se analisar a massificação como principal causa desse impasse e a decorrência desse cenário: a depreciação da saúde dos internautas.
A princípio, é válido destacar que a falta de formação crítica dos usuários fomenta a massificação cultural que catalisa a problemática. Sob esse viés, faz-se relevante enfatizar a teoria da Moral de Rebanho, elaborada por Friedrich Nietzsche, escritor crítico prussiano. Em síntese, o autor afirma que os seres humanos tendem a repetir os hábitos da sociedade (rebanho), sem sequer refletir sobre eles, para conquistar a aceitação social. Nessa lógica, as pessoas repetem as atitudes dos “blogueiros”, conforme a teoria supracitada. Conforme o levantamento da YouPix, apenas 10% dos jovens entrevistados, entre 18 e 34 anos, revelaram não se sentir influênciados pelas redes sociais. Desse modo, as marcas utilizam dessa fragilidade para conquistar a massificação, utilizada para vender o seu serviço.
Por outro lado, torna-se imprescindível analisar não só a causa, mas também as consequências desse cenário. Nessa perspectiva, o livro Morte e Vida Severina, escrito por João Cabral de Melo Neto, revela-se condizente com esse entrave, pois o personagem Severino, retirante nordestino, quanto mais tenta se definir, menos se individualiza, ao passo que existem diversos “Severinos” os quais compartilham de sua mesma situação precária. Analogamente à obra, os influenciadores atenuam as individualidades, uma vez que estimulam a padronização. Por conseguinte, a integridade mental dos internautas é atenuada, conforme o estudo da Fundação Getúlio Vargas, 40% dos jovens brasileiros sentem tristeza ou ansiedade após utilizar a internet, resultado da influência excessiva desse meio.
Enfim, mediante o exposto, é mister que diligências sejam tomadas para reverter esse quadro. Logo, cabe aos aplicativos digitais, em parceria com o Ministério da Saúde, guiar os usuários ao autocuidado. Para tanto, o ministério deverá providenciar psicólogos para oferecer lives gratuitas nos aplicativos, com o fito de atenuar as consequências da massificação social. Além disso, os aplicativos devem ampliar as ouvidorias de aconselhamento, para diminuir as adversidades decorrentes das redes. Ademais, compete ao Estado e a Família garantir uma formação educacional íntegra, como previsto no art.205° da Constituição federal. Destarte, a alienação digital será menor, prosperando a democracia.