Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 08/07/2021
Desde o início do processo de Modernização tecnológica no Brasil, o uso de meios de comunicação para a propagação de padrões ideais de consumo é amplamente verificado, uma vez que inúmeras propagandas veiculadas em rádios e em aparelhos televisivos moldam os gostos sociais. Nesse aspecto, grande parte dos influenciadores digitais atuais, os quais utilizam as redes sociais para atuarem como representantes de diversas marcas, por focarem somente no lucro da sua divulgação, influenciam um público cada vez maior com estilos de vida ilusórios e baseados em bens materiais, o que gera consequências psicológicas para as pessoas que adotam esses exemplos como meta.
Em primeira análise, é indiscutível que a ganância de parcela dos “blogueiros” é uma das causas da circulação de tendências inalcançáveis. Isso se relaciona ao sistema econõmico Capitalista vigente hodiernamente, em que o lucro mercadológico é o que move os indivíduos, fato que incentiva a realização de atos focados unicamente nesse fim. Nesse sentido, propagandas de produtos esteticamente milagrosos e maléficos aos consumidores são mascarados por muitos famosos da era digital, haja vista que os ganhos financeiros advindos das marcas são priorizados em detrimento do bem-estar dos seus seguidores.
Outrossim, evidenciam-se os efeitos negativos dos padrões criados no cyberespaço na vida de muitas vítimas. Tal fato se opõe ao conceito de Imperativo Categórico, criado pelo pensador Immanuel Kant como forma de descrever as ações éticas, as quais são as que visam, invariavelmente, ao bem comum da sociedade. Nesse viés, pela ausência de sentimentos de zelo ligados ao próximo e, consequentemente, de ações éticas por parte dos “influencers”, a adesão massiva da população aos seus padrões de consumo gera, muitas vezes, a frustração e a sensação de vazio existencial nesses jovens, por reflexo de que os produtos oferecidos não entregam o resultado desejado e não causam a felicidade estampada nas publicações desses famosos, situação que abre margem para o aparecimento de doenças psicossomáticas, como a ansiedade e a depressão.
Entende-se, portanto, a necessidade de mudanças substanciais no quadro em questão. A fim de atenuar a problemática, o Governo Federal deve instaurar investimentos direcionados à realização de campanhas que mostrem o perigo dos padrões de consumo irreais existentes para a autoestima de muitos cidadãos, por meio de propagandas veiculadas nas mídias sociais e em outros meios de comunicação, para que os influenciadores digitais trabalhem de forma responsável e consciente visando ao consumo de produtos reais e benéficos por parte de seus seguidores. Desse modo, a harmonia social será enrijecida.