Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 15/07/2021
Em conformidade com os sociólogos Adorno e Horkheimer, a Indústria Cultural impede a autonomia consciente. Na contemporaneidade, analogamente, o uso da internet – sobretudo das redes sociais – e o surgimento dos influenciadores digitais comprometeram a liberdade de pensamento e escolha do público influenciado, já que, inconscientemente, ao acompanhar os “influencers”, as pessoas são subjugadas ao que é imposto diariamente e tornam-se reféns do incentivo ao consumo desnecessário.
Em primeira análise, ressalta-se que o marketing de produtos – feito pelos influenciadores mediante recompensa da marca contratante – em muitos casos é feito sem que esses sejam testados. Assim, a divulgação de itens “milagrosos”, como chás emagrecedores, redutores de medidas e celulites, que são dispensáveis e devem ser recomendados apenas por profissionais especializados, afetam, principalmente, o público feminino, aumentando a busca e compra desses itens sem que haja a devida recomendação e comprovação de sua eficiência – o que compromete a credibilidade de influenciadores.
Paralelamente, o incentivo à compra de produtos – muitas vezes de alto valor – com a ideia de que são imprescindíveis para que se atinja determinado objetivo, como o emagrecimento, acarreta uma uniformização de consumo. Nesse sentido, os padrões estabelecidos estão de acordo com o conceito de Conformidade, do psicólogo Solomon, que pressupõe a tendência que as pessoas têm de abrir mão de suas individualidades a fim de pertencer a um ambiente ou grupo. Dessa forma, ao não ter os produtos divulgados, surge na sociedade o sentimento de desajuste social, o que os faz com que o público se veja obrigado a consumir o que é publicado por influencers para, então, pertencerem ao conjunto social.
Portanto, torna-se envidente a imprescindibilidade de ações que busquem atenuar a influência negativa de profissionais da internet. Urge, desse modo, que as próprias redes sociais – como o Instagram e o Facebook – propaguem mensagens de alerta sobre o consumo desnecessário e exagerado. Isso deve ser feito por intermédio de publicações de impacto, as quais devem abordar o tema e atingir todos os usuários. Visa-se, desse modo, alertar e conscientizar as pessoas acerca do conteúdo que consomem nas redes sociais e de que devem ter discernimento na compra de produtos divulgados.