Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 12/07/2021
A era digital tem facilitado cada vez mais o consumo geral da população. A exemplo disso, é possível citar a ex-BBB Juliette Freire, que desde sua participação no “reality” influencia o público alvo a consumir produtos e informações, a exemplo da música de Chico César, que passou a ser conhecida e escutada em todo o país depois da sua citação no programa. Com isso, surgem reflexões sobre os impactos que os influenciadores digitais têm nas decisões de consumo das pessoas, que podem gerar problemas como o consumismo exagerado, bem como a manipulação midiática por interesses financeiros.
Em primeira instância, é possível destacar o consumismo exacerbado como impacto negativo gerado pela influência dos famosos no meio digital. Em consonância a isso, Platão define o amor (eros) como o desejo por aquilo que não se tem. Nesse sentido, o conceito de “sociedade do consumo” pode ser utilizado para designar a sociedade que se caracteriza pelo consumo massivo. Assim, percebe-se a suceptibilidade do público às propagandas apresentadas pelos influenciadores, que cada vez mais empurram produtos diversos às pessoas, que se veem obrigadas a adquiri-los sem, muitas vezes, refletir sobre a utilidade e importância do item. Com isso, cria-se uma sociedade consumista, sem poder de escolha e extremamente influenciável.
Ademais, outra consequência da persuasão exercida pelos criadores de conteúdo digital pode ser vista na manipulação midiática em favor de interesses financeiros. De acordo com Karl Marx, no capitalismo, os bens materiais são fetichizados ao ponto de assumirem qualidades além de sua materialidade. As coisas são personificadas e as pessoas são coisificadas. Em vista disso, as empresas utilizam do poder de sugestão dos influenciadores para manipular o público a comprarem seus produtos, pois esses conseguem elevar os itens à níveis muitas vezes fora do padrão, tornando-os superestimados no mercado. Com isso, visando o interesse monetário, diversas empresas e até mesmo os influenciadores, manipulam a população a consumir cada vez mais seus conteúdos.
É necessário, portanto, que ações sejam desenvolvidas para a promoção de um consumo consciente por parte das pessoas. Logo, cabe aos responsáveis pelos veículos digitais, como Facebook, Instagram e outros detentores de mídia, se responsabilizarem por garantir que os conteúdos tragam utilidade na apresentação de produtos, por meio de filtros obrigatórios alertando os clientes sobre a veracidade e real aplicação da mercadoria. Além disso, os influenciadores devem se submeter a conscientizar os seguidores a comprarem de acordo com as suas necessidades, a fim de gerar consciência e poder de escolha, sem que se sintam na obrigação de seguir as tendências do momento.