Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 12/07/2021

Na obra “Ensaio sobre a cegueira”, o escritor José Saramago, ressalta a importância de se ter olhos quando todos os perderam. Revela-se, sob essa óptica uma espécie de cegueira social que impede o indivíduo a enxergar problemáticas sociais como, o impacto nas decisões de consumo que os influenciadores digitais causam devido a informações erradas que podem ser passadas ao seguidor.

A priori, não é novidade que as pessoas deixam-se influenciar, o filosofo Kant em sua obra “O que é o Esclarecimento?”, já descrevia pessoas que permaneciam na “menoridade” ao designar as decisões de sua vida em assuntos políticos, de trabalho e pessoal para terceiros. Kant, já ressaltava a importância de tomar as próprias decisões, visto que muitas pessoas poderiam se aproveitar. Hoje, da mesma forma, há nas redes sociais muitas pessoas que não são especialistas em determinados assuntos e influenciam nas decisões dos que os seguem. Haja como exemplo, o caso da blogueira fitness, Gabriela Pugliesi, do qual foi advertida pelo Concelho Nacional de Autoregulação de Publicitária, por realizar publicidade velada alegando que determinados produtos eram saudáveis, sendo que o fato não era verdadeiro.

Ademais, o sociólogo Jean Boudrillard, alerta sobre o simulacro e simulações. Nas redes sociais o simulacro pode ser quando o influenciador causa a “hiper realidade”, dando a impressão ao seguidor que determinado produto é muito melhor do que realmente ele é e de que o consumidor atingirá a felicidade apenas após adquirir determinado produto. Ou a simulação de usar um produto que na verdade não é usado pelo influenciador. O filme “Carnaval”, de 2021, tem como enredo esses simulacros e simulações ao retratar o caso da influenciadora Nina, em uma viagem desastrosa a Salvador, porém nas redes sociais a influenciadora insiste em passar uma imagem de que está sendo uma viagem perfeita.

Portanto, diante do que foi exposto, é necessário acabar com essa cegueira social, que foi descrita por Saramago. Por isso, medidas precisam ser tomadas. Cabe ao Estado, por meio do legislativo elaborar leis especificas de publicidade para essas mídias sociais. Tais leis devem ser elaboradas em conjunto com especialistas no assunto, conselhos de publicidade por meio de discussões públicas e congressos. Como resultado, tais conselhos devem fornecer cartilhas digitais com as regras que devem ser enviadas pelas plataformas para os influenciadores, bem como o Judiciário deve punir por meio de multas caso algum conselho julgue desrespeito as normas estabelecidas. Assim, talvez por meio dessas mudanças o usuário possa ser menos manipulado de forma indiscriminada nas redes por esses influenciadores.