Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 19/07/2021
No final do ano de 2017, a digital influencer e youtuber Tata Estaniecki lançou sua própria marca de sapatos femininos denominada “Louth Shoes”. Sob a vontade de se lançar no mercado com um empreendimento fixo e próprio, a influenciadora defendia que via a necessidade de estar atrelada à divulgação de uma marca na qual possuísse total confiança. Entretanto, ao contrário de Tata, muitos influenciadores vêm se mostrando antiéticos e despreocupados com os impactos de consumo que geram em seus seguidores ao expor produtos nos quais não confiam. Nesse sentido, observa-se um grave problema que tem como causa a falta de responsabilidade social e o consumismo.
Dessa forma, em primeira análise, a falta de ética é um desafio presente no problema. Para Kant, os indivíduos devem agir corretamente mesmo que não seja de seu interesse. Entretanto, existe uma falha moral em relação ao impacto que os influenciadores digitais geram nas decisões de consumo de seus seguidores, visto que, ao não confiarem na marca que divulgam, acharem-na inviável ou seu consumo desnecessário, estes passam a preocupar-se somente com sua remuneração futura, expondo as pessoas que neles confiam a uma situação de prejuízo e traição. Assim, é necessário que os valores morais tornem-se prioridade.
Além disso, o consumo exacerbado ainda é um grande impasse para a resolução da problemática. Segundo Zygmaunt Bauman, o consumismo é “uma forma compensatória para obter prazer". Diante da pandemia de Covid-19, os indivíduos, reclusos ao ambiente de suas casas, tornaram-se mais ansiosos e passaram a descontar esse fator nas compras online, bem como no consumo de entretenimento via redes sociais. Desta forma, diante da constante influência e exposição a produtos vivenciada, como forma de escape à realidade momentânea, os indivíduos passaram a consumir para obter prazer. Assim, é preciso que as pessoas busquem outras formas de satisfação para que a situação seja resolvida. Portanto, é imperativo agir sobre o problema.
Para isso, a Netflix deve criar um documentário que explicite os impactos das redes sociais e influenciadores digitais na cultura do consumo, a fim de reverter a mentalidade consumista vigente e propor um momento de atenção antecedente à finalização de uma compra, colocando em questão a real necessidade de consumo do produto e os benefícios que serão gerados a partir dele. Tal ação pode, ainda, ser divulgada através do Instagram, de forma a colaborar com seus usuários, amplamente afetados pela influência e bombardeamento de produtos presente na plataforma. Paralelamente, é necessário intervir sobre a falta de responsabilidade social existente no problema. Sendo assim, a ética de Tata poderá tornar-se não uma esperança, mas sim o padrão presenciado nas redes sociais.