Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 21/08/2021
Em um dos episódios da série televisiva Black Mirror, é retrata a realidade de uma época onde os indivíduos são julgados mediante seu engajamento nas redes sociais, levando os usuários a viverem imitando o estilo de vida que apresentam maior empenho nas redes. É notório que, a trama aborda de maneira enfatizada a vivência dentro das mídias socias atualmente, visto que os grandes perfis dos influenciadores digitais têm levado os seguidores a invejarem um padrão de vida irreal. Ademais, tal cenário tem aumentado o consumo demasiado por parte dos usuários que buscam igualar-se aos seus ídolos comprando produtos que são sugeridos por eles.
Em primeira análise, faz-se necessário destacar o cenário fantasioso publicado pelos influenciadores. Hodiernamente, ser influenciador digital tornou-se uma profissão; de janeiro de 2018 a março de 2019, posts no Instagram com conteúdo patrocinado aumentaram em 120%. Portanto, o ofício do profissional digital é vender a imagem de determinado item ou serviço e para isso, muitas vezes, é preciso criar um contexto publicitário utópico repleto de tendência, glamour ou praticidade para a vida, na intenção de convencer o telespectador que com suas mercadorias ele se sentirá realizado. Logo, o seguidor acaba por desejar o modelo de vida divulgado, acreditando em todo o contexto elaborado apenas para a venda.
Por conseguinte, o público passa a comprar cada vez mais os bens de consumo apresentados pelos influenciadores, à procura de alcançar as supostas experiencias divulgadas. Nesse viés, tal circunstancia aplica-se à ideia do escritor britânico George Orwell, de que a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa. Consoante esse quadro, Orwell sintetiza o poder que a publicidade tem em ditar comportamento para estimular o consumo de determinados produtos. Posto isso, o “ter” sobrepõe-se ao “ser”, mediante o contexto do consumismo constante.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para reeducar uma sociedade de acordo com a nova realidade publicitária, urge que o Ministério da Educação implemente à grade curricular dos estudantes do Ensino Médio - por meio de redirecionamento de verbas - uma disciplina de Educação Financeira com o intuito de instigar desde cedo os jovens-adultos a cuidar de suas finanças para que não cedam ao consumismo. Dessa maneira, será possível filtrar as publicidades fornecidas freneticamente através dos influenciadores digitais.