Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 20/07/2021
A partir da terceira revolução industrial, a sociedade presenciou o avanço do consumismo, e com ele, as mais variadas formas de publicidade e suas táticas persuasivas. Conforme isso, expressa-se hoje, nas redes sociais, a atuação dos influenciadores digitais, voltando a atenção para sua influência nas decisões de consumo. Assim, faz-se necessário debater sobre a objetificação do indivíduo em prol do capital, como também, a característica manipuladora da mídia.
Nesse aspecto, destaca-se a desvalorização das pessoas em virtude da busca pelo lucro. Segundo a socióloga Simone de Beauvoir, em um de seus trabalhos, “não há crime maior que diminuir o ser humano à condição de objeto”. Paralelo a isso, observa-se, nas redes sociais, a atuação dos influenciadores digitais, atrelados à diversas marcas, em conquistar cada vez mais as pessoas para comprar certo produto ou realizar certa viagem. No entanto, fica inerte aos olhos do consumidor que, tal “influencer”, só promove um produto devido aos acordos com as marcas, objetivando assim o lucro acima da qualidade do produto e da necessidade do consumidor em obtê-lo, o que revela a desvalorização ao publico alvo.
Além disso, evidencia-se o papel da mídia publicitária, caracterizada pelo seu poder manipulativo. Referente a isso, o pensador Pierre Bourdieu explica que, a mídia, criada para ser um instrumento democrático, não pode ser usada como mecanismo opressor. No entanto, ao analisar o panorama em questão, a mídia publicitária, integrada por inúmeros influenciadores, promove padrões de vida, corpos ideais e produtos famosos, com a finalidade de manipular os seguidores à comprar os supérfluos e a aderir certos modos de vida somente pelo fato daquilo estar sendo exposto à eles em uma rede social, explicitando assim, a manipulaçao midiática sob o poder de consumo dos indivíduos.
Portanto, o corpo social, presente nas redes sociais, como o Twitter e o Instagram, deve promover, por meio de “hashtags” ou vídeos educativos, campanhas de conscientização ao consumidor, além de boicotes à “influencers” e marcas que visam o lucro acima das pessoas. Tal projeto auxiliaria o público a ter maior controle sobre a autonomia nas decisões de consumo e os libertaria da bolha manipuladora da publicidade tóxica. Ademais, o Ministério da Educação pode realizar palestras nas escolas para educar os jovens, desde cedo, sobre o consumismo e a manipulação das redes sociais, contribuindo assim, na formação de cidadãos mais conscientes.