Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 19/07/2021
A Constituição federal, documento mais importante do país, prevê, em seu artigo sexto, a proteção a infância como um direito dos cidadãos. No entanto, isso não ocorre na prática quando se observa a questão dos influenciadores digitais e seus impactos nas decisões de consumo. O Estado, infelizmente, não busca responsabilizar os influenciadores sobre os impactos de suas ações, que, devido as suas irresponsabilidades, influenciam mal os infantes brasileiros. Assim, é importante debater os fatores que favorecem esse quadro.
Primeiramente, cabe destacar a falta de medidadas por parte do Estado em relação aos influenciadores digitais e seus impactos nas decisões de consumo. Pouco se ouve falar sobre regras adotadas pelo Estado brasileiro no combate de conteúdo inapropriado para crianças em redes digitais, como o Youtube. Propagandas de caráter apelativo ou manipulador, por exemplo, foram banidas dos canais de televisão aberto, mas podem existir livremente em canais do Youtube - que são assistidos por milhões de crianças. Esse quadro, segundo o filósofo contratualista John Locke, configura-se como um rompimento do contrato social, visto que o Estado, tristemente, não cumpre seu papel de proteger a infância, previsto na constituição.
Ademais, deve-se apontar as atitudes irresponsáveis dos influenciadores digitais como impulsionadoras desse quadro. Muitos influenciadores digitais, a fim de ganharem dinheiro, fazem propagandas de produtos infantis. Contudo, muitas dessas propagandas, de caráter apelativo, como nadar em uma banheira de chocolate, buscam influenciar os jovens ao consumo excessivo de alimentos ruins para a saúde, como doces, fast foods e frituras. O canal Porta dos Fundos, por exemplo, já criou vídeos criticando essa prática apelativa e ironizando esses influenciadores irresponsáveis. Dessa forma, visto que a má influência pode causar danos à saúde dos jovens e prejudicar a infância, é inadmissível que esse quadro continue a perdurar.
Portanto, a fim de garantir uma infância saúdavel aos brasileiros, o Estado, órgão responsável pelo cumprimento do contrato social, deve combater atitudes irresponsáveis dos influenciadores digitais. Isso pode ser feito por meio da criação de um conjunto de leis de publicidade infantil especifíca para as plataformas digitais. Enfim, caso os responsáveis sejam penalizados por suas atitudes contra a saúde dos jovens brasileiros, a infância no Brasil estará protegida, como previsto na Constituição federal.