Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 22/07/2021
O universo do consumo sofreu profundas mudanças no século XX, sobretudo por conta da Terceira Revolução Industrial, que fez com que a informação sobre diversos produtos e serviços viajasse mais rapidamente pelo mundo. Por sua vez, a sociedade brasileira discute o papel dos influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo. Nessa perspectiva, é lícito apontar os mecanismos viciantes relacionados às redes sociais e a normalização do mau uso da internet como principais problematizadores desse contexto.
De início, vale ressaltar os perigos ocultos ligados aos sites de socialização. Isso é relevante porque, os influenciadores digitais se aproveitam de diversos métodos predatórios afim de obterem maiores lucros, pois o ambiente o qual eles trabalham é projetado para manter o usuário o máximo de tempo possível no site e para que haja o maior número de possibilidades do usuário consumir algo, independentemente dele realmente precisar fazer essa nova aquisição. Prova disso é o estudo publicado na revista científica European Psychiatry, que traz fortes evidências de que redes sociais têm um potencial assustador de causar perturbações de autocontrole, fazendo com que as pessoas, impulsivamente, busquem as redes sociais atrás de publicações de influenciadores digitais, mesmo enquanto fazem tarefas que exigem foco. Portanto, caso não haja uma maior seriedade ao se combater tais mecanismos viciantes, a saúde econômica e social da população estará sob grave perigo.
Outrossim, cabe analisar o caráter retroalimentativo dos maus hábitos de consumo gerados pelos influenciadores digitais. Conforme ponderou Émile Durkheim no Fato Social, “o meio impõe normas de conduta aos indivíduos”. Ao aplicar sua célebre fundamentação, infere-se que a sociedade brasileira é determinista no âmbito da normalização do mau uso da internet, pois a esmagora maioria da população tem pouca informação sobre o perigo do consumo excessivo e mal planejado a partir de publicações de influenciadores digitais, causando um problema que se autoalimenta, pois, quanto mais a população está acostumada com os comportamentos nocivos trazidos por celebridades das redes socias, mais esse comportamento tende a crescer. Logo, se nada for feito para combater a existência desse fato, os bons hábitos de consumo não conseguirão coexistir com a presença de influenciadores digitais.
Diante do exposto, fica clara a necessidade de esforços para mitigar a atuação perigosa dos influenciadores digitais. Indubitavelmente, o Estado deve facilitar a atuação de redes sociais que não abusam de mecanismos viciantes, por meio de incentivos fiscais extremos, com o objetivo de que essas empresas tenham cada vez mais usuários, fazendo com que haja combate à normalização do problema e, assim, tornando as redes sociais um ambiente mais saudável para todos os usuários.