Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 25/07/2021
Segundo dados coletados pela consultoria Decode, a série “O gambito da rainha” aumentou significamente a compra de tabuleiros de xadrez e a procura pelo jogo em forma virtual. Fora do contexto cinematográfico, os chamados influenciadores digitais têm apresentado um papel tão importante quanto os filmes e séries em influenciar um determinado público alvo, motivando diretamente seu consumo, haja vista que a relação com o público é muito próxima. Nesse sentido, a grande intervenção que esses profissionais exercem na vida dos indivíduos que os seguem, pode gerar uma sociedade mais consumista e ainda o surgimento de um favoritismo intragrupo.
Sob esse viés, é importante ressaltar que a divulgação de produtos por digitais influencers pode gerar uma sociedade mais preocupada em só consumir. A esse respeito, segundo a teoria do fetichismo da mercadoria, de Karl Marx, as pessoas teriam mais vontade de consumir algo somente pelo status que ela fornece, e não necessariamente por ser útil. Desse modo, com a divulgação por meio dos profissionais da Internet, certo produto passa a ter mais consideração no meio social, e as pessoas que o acompanham, para não ficar fora do grupo, aceitam em adquirir ele, não sabendo ao certo se realmente é confiável e bom.
Consequentemente, essa preocupação em somente consumir tem potencial para o surgimento do chamado viés de grupo. Sobre isso, a psicologia social diz que os seres humanos têm uma tendência natural a quererem se sentir integrados a um grupo, e para fazer parte desse grupo passam a copiar os comportamentos de uma comunidade, e começam a rejeitar os indivíduos que não estão nele. Nessa perspectiva, o consumismo entre as pessoas passa a ser uma tentativa de afirmação como pertencente a essa massa, e assim não sentem excluídos. Logo, as decisões em tornar algo como “tendência” por parte dos influencers têm forte impacto na vida das pessoas, pois essa coisa tem maior status, e assim a procura será maior, por conseguinte, haverá maior consumo.
O impacto causado pelos influenciadores digitais nas decisões de consumo é, portanto, um problema que precisa ser averiguado cautelosamente. Logo, o Poder Executivo, em parceria com o Ministério da Educação, deve criar programas que visem a reeducação do consumidor, por meio de programas veiculados nas redes sociais, sendo eles: lives feitas nos perfis tanto dos Ministérios quanto nos perfis dos influenciadores digitais –, a fim de demonstrar o porquê de reduzir a compra de coisas somente pelo status, demonstrando como identificar as coisas úteis e não úteis para um determinado indivíduo. Ademais, cabe aos influenciadores digitais tomarem cuidado com o que divulgam na Internet, e por meio de lives debater, junto a um psicólogo, sobre o favoritismo intragrupo, a fim de erradicar ele.