Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 03/08/2021

O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade pelo medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito à impressão que os influenciadores digitais passam, de uma vida repleta de bens materiais e realização, sem mostrar a vivência real. Nesse contexto, são necessárias estratégias que sejam aplicadas para reverter a situação, que tem como causas o impacto dos digitais influencers nas decisões de aquisição e a falta de debate acerca do vício em compras.

Nessa perspectiva, há a questão do efeito que os blogueiros têm nos propósitos de compra de seus seguidores e o que isso pode acarretar. No primeiro semestre de 2021, pouco tempo após ter ganhado o prêmio do reality show Big Brother Brasil, Juliette Freire, advogada e influenciadora digital, foi vista em um aeroporto usando um tênis colorido, que poucas horas depois esgotou todos os pares do site. Por essa ótica, é notório o quanto pessoas influentes impactam em decisões de consumo do seu público, o que leva ao questionamento se realmente é necessário comprar todas as novas tendências do mercado e jogar fora as coisas velhas. Como consequência desse consumismo exagerado, há um aumento significativo na produção de lixo, o que acaba agravando a situação.

Além disso, ressalta-se que a falta de debate sobre o vício em comprar também configura-se como um entrave no que tange à questão das consequências que as indicações dos influenciadores causam. O filósofo Focault defende que, na sociedade pós moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Nesse sentido, percebe-se que existe uma lacuna no que se refere à discussão em torno da responsabilidade que os indivíduos influentes digitalmente carregam, de expor e divulgar nas mídias suas vidas baseadas no consumo, logo, as pessoas querem se incluir na mesma esfera social, de um modo de vida repleto de recursos valiosos, o que gera a dependência de adquirir as exclusividades mercantis. Assim, sem um diálogo sério sobre esse problema, sua resolução é impedida.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Como solução, é preciso que o Ministério do Meio Ambiente em parceria com as mídias digitais divulgue sobre a importância do consumo consciente e métodos alternativos à isso, a fim de instruir a população em suas decisões de compra, por meio de propagandas televisivas e anúncios na internet que estimulem a atenção do público. Tendo por objetivo abordar o impacto do consumismo, para que as pessoas repensem antes de comprar todos aqueles produtos novos e modernos do mercado que os influenciadores digitais divulgam a cada segundo. Dessa maneira, diferentemente do mito da caverna, as pessoas podem enxergar a realidade por trás da ilusão de vidas perfeitas cheias de posses materiais e conquistas.