Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 08/08/2021

No filme “Obrigado por fumar”, o personagem Nick Foster, dono de uma empresa de cigarros, entra em acordo com Jeff Megall, um agente de Hollywood, para fazer com que o cigarro seja promovido positivamente aos espectadores nos filmes, com objetivo de incentivar sua compra. Apesar de ser um caso fictício, o poder que os meios de comunicação possuem sobre os jovens brasileiros é notória, com destaque para os influenciadores digitais, que acabam por estimular o consumismo no público. Esse aumento no consumismo provém de fatores como a restrição do público alvo com gostos similares e a concepção de felicidade no grupo através do consumo.

Em primeiro plano, é visível a velocidade com que a procura de um produto aumenta após ser divulgado por uma figura virtual. De acordo com uma pesquisa feita pelo Instituto Qualibest em 2020, 86% dos entrevistados já descobriram um produto via influenciador, com 73% desse total já adquirido algo por indicação desse profissional da internet. Isso se deve pelo fato de que o digital influencer angaria um público que compartilha gostos e por esse motivo são extremamente engajados com tudo proposto pelo influenciador, e isso cria um ambiente ideal para divulgação de uma marca e promove o consumo.

Simultaneamente, muitas pessoas ainda possuem a convicção de que a felicidade está em adquirir as mais variadas coisas, e, com as excessivas e ostentadas publicações dos famosos digitais, o incentivo nos espectadores para comprar aumenta cada vez mais. Tal ideia pode ser comprovada em uma citação do psicólogo Daniel Kahneman, que afirma que “Temos uma grande aversão a perdas, temos conflitos fortíssimos, tentações, somos muito influenciados pelos outros”. Então, certamente, em conjunto com os interesses similares, a perspectiva de satisfação nas compras pode ser uma das principais causas do consumo em grande quantidade.

Destarte, pode-se inferir que há um conjunto de fatores que justificam os impactos dos influenciadores nas decisões dos consumidores. Logo, a fim de conscientizar os internautas para as demasiadas divulgações de produto, o Ministério da Comunicação, em conjunto com os veículos de comunicação em massa, deveria investir em medidas de intervenção para solucionar a situação. Essas medidas poderiam vir através de campanhas online, com a inserção de vídeos do próprio Governo de informações aos usuários sobre os males do consumismo e a manipulação negativa que há por trás da divulgação de certas mercadorias. Assim, situações como a vista em “Obrigado por fumar” seriam cada vez menos vistas em território nacional.