Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 08/09/2021

Historicamente, a Terceira Revolução Industrial, ocorrida a partir de 1990, no que refere-se aos avanços das tecnologias digitais -computadores e celulares- foi responsável pela mudança radical na forma de comunicação interpessoal e do compartilhamento de informações. Assim, com o avanço das mídias, surgiu uma nova profissão para os jovens tida como: “Influenciador Digital”, em que ocorre a divulgação do estilo de vida de cada indivíduo -maquiagem, moda e humor- a partir do uso das redes sociais. Desse modo, influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo são abrangentes, visto que todo aspecto da vida pessoal dos indivíduos na atualidade é cerceada pelo poder do capitalismo financeiro e dos modismos da internet relacionados à roupas, comidas e estética.

A princípio, os filósofos Adorno e Horkheimer, influentes da Escola de Frankfurt, ao analisarem os impactos das indústrias no consumo, intitularam a “Indústria Cultural”, isto é, processo de produção fabril massiva que adaptou-se a produção artística. Logo, toda necessidade de compra atual é pautada no poder das mídias digitais sobre os indivíduos. Portanto, o impacto dos influenciadores digitais é tido como um novo método de dominação do capitalismo, visto que agora não há mais a necessidade de assistir à televisão, ou ler uma revista, pois há a publicidade de roupas, sapatos, cosméticos e alimentos no Facebook, Instagram e TikTok.

Nesse sentido, o sociólogo Zygmunt Bauman, ao estudar as mudanças nas relações interpessoais da sociedade a partir do avanço das tecnologias, intitulou o termo “Mundo Líquido” em que todas as relações existentes -trabalhistas, familiares e amorosas- tornam-se frágeis e efêmeras. Essa realidade, é reflexo da rapidez das informações veiculadas nas redes sociais somada a modificação constante dos bens materiais, as quais transmitem o ideal de que é necessário trocar de emprego, carro, casa, relacionamento e/ou celular por um mais moderno para atingir o bem estar.

Afinal, é imperioso ressaltar os impactos dos influenciadores digitais nas decisões de consumo, pois a profissão desses indivíduos perpassou o ideal de lazer e tornou-se referência de modismos industriais. Para isso, torna-se necessário que o Ministério da Educação conscientize os alunos das escolas públicas, sobre a realidade do capitalismo atual. Ademais, para a realização do proposto deve-se contratar profissionais recém-formados em Ciências Sociais, das Universidades Públicas de cada região, para a realização de palestras a fim de ensinar aos alunos sobre os filósofos e sociólogos marcantes da contemporaneidade e o esclarecimento desses para a realidade vivenciada hoje, no que se refere ao consumismo. Somente assim, ocorrerá a conscientização dos estudantes perante a atuação dos influenciadores digitais na abrangência do doentio capitalismo.