Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 08/08/2021
O filme estadunidense “O Dilema das Redes”, retrata como as mídias sociais e seus influenciadores moldam o comportamento das pessoas e de seus hábitos, além de construir falsas realidades. Em consonância com a realidade do longa, está a de muitos brasileiros, já que os impactos nas decisões de consumo causado pelos “influencers” acarreta alienação e transformação, negativa, das pessoas. Isso ocorre, seja pela desinformação que reina nesses espaços, seja pela divulgação de mentiras com objetivos comerciais. Dessa maneira, é imperioso que essa crescente chaga social seja resolvida, a fim de que menos pessoas sejam atingidas pelas mazelas dos influenciadores digitais.
Nessa perspectiva, é válido retomar o aspecto supracitado quanto à alienação. Por apresentarem resultados, informações, ideias, preços e realidades falsas, é coerente que os milhões de seguidores passarão consumir produtos de origem duvidosa, adotar práticas prejudiciais à saúde, se expor, financeiramente, à compras que extrapolam seus limites, causando um “efeito dominó”, ou seja, de comprar e se endividar. Tal processo, é explicado pela teoria da “cultura do lixo”, de Zygmunt Bauman, quando afirma que o consumo influenciado deixa de ser um elemento de distinção entre as pessoas para ser um agente de exclusão por excelência, isto é, no mundo digital, a divisão entre quem influencia e o influenciado.
Paralelamente à alienação, é fundamental o debate acerca das transformações sofridas pelos “influenciados”. Essas modificações podem ser percebidas pelas escolhas de consumo, por exemplo, na compra de uma determinada marca por indicação de um ídolo, a desvalorização do dinheiro, já que os seguidores, na maioria das vezes jovens, têm o olhar mudado para o consumo excessivo, além da tendência de oberar. Isso representa a teoria de Adorno de que o consumidor anda, cegamente, em direção àquilo que o capital e suas ferramentas indicam. Assim sendo, os efeitos sobre os consumidores brasileiros são muitos e, aparentemente, perenes, tendo em vista que a “arte” de influenciar ganha, todos os dias, mais adeptos. Portanto, essa celeuma urge ser resolvida.
Desta forma, é essencial que se discuta soluções eficientes para a reversão do problema. Para isso, cabe às grandes mídias sociais como Instagram, Facebook e YouTube, por exemplo, por meio de parceria com a ANPD, agente de privacidade do Ministério da Justiça, criem departamentos que controlem postagens e divulgações com informações, dados e produtos falsos, com o objetivo de evitar golpes, consumo exacerbado, além de proteger os usuários de artigos prejudiciais e passar a condenar, criminalmente, esse tipo de estratégia comercial. Somente assim, pode-se evitar que “O Dilema das Redes” ganhe mais aliados.