Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 08/08/2021
A série Black Mirror, no episódio “Nosedive”, aborda a quebra da autonomia crítica das pessoas através de influenciadores digitais, fato que, para a protagonista Lacy, representou uma manipulação ideológica da própria personagem para uma tendência consumista. De maneira análoga, no Brasil, percebe-se os impactos negativos de pessoas na internet em relação às decisões de consumo, uma vez que cria-se uma idealização ilusória de satisfação absoluta através de propagandas. Sendo assim, a inserção de uma “indústria cultural” na sociedade aliada ao sentimento humano de atribuir um sentido à vida, sustentam as razões para o entrave em questão.
O sentimento natural humano pela busca de um sentido para a sua existência, favorece a suscetibilidade a manipulações tendenciosas. Sob este viés, o sóciologo alemão Martin Heidegger afirma que, justamente por desconhecer sua origem, os indivíduos procuram alguma finalidade para um evento misterioso: a vida. Assim, as mídias sociais ao perceberem esse fenômeno, inseriram em suas propagandas, através de influenciadores, elementos os quais associassem as mercadorias a supostos estilos de vida ideais para atingir finalmente uma resposta sobre o significado da existência. Á exemplo disso, o fato de relacionar o lazer pela internet com empresas de turismo para lugares convencionados socialmente como o reflexo da cultura própria de cada indivíduo, seria um meio usado para alinhar-se aos interesses do usuário de forma manipulativa. Isso porque, o consumo é incentivado de maneira natural, fato que elucida mais uma razão crucial para o problema.
Depreende-se, portanto, a necessidade da redução do tendencionalismo comercial por “digital influencers”. Para isso, cabe ao Ministério da Comunicação a reformulação do regulamento sobre a publicação publicitária via internet que, através de especialistas em publicidade e progapanda, será responsável pela contenção do viés capitalista e idealizador de anúncios a fim de promover uma reflexão crítica à sociedade sobre a necessidade consumista real. Somente assim, pessoas como Lacy não terão sua autonomia corrompida, fato que implicará em melhores decisões de consumo.