Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 25/10/2021
“Use, seja, ouça, diga, tenha, more, gaste e viva”. Essas palavras são parte do refrão da música “Admirável chip novo”, da cantora Pitty, e denunciam que o robótico comportamento da sociedade moderna é causado por uma espécie de programação mental. Assim como na canção abordada, observa-se que, na atual conjuntura mundial, devido à difusão massiva de padrões por meio das redes sociais e seus influenciadores, ocorre um direcionamento que impacta nas decisões de consumo, levando os indivíduos a reproduzirem ações indiscriminadamente. Nesse sentido, é preciso salientar que isso ocorre devido à exploração da tendência humana de agir segundo a coletividade por parte de empresas que se aproveitam disso para satisfazer seus interesses e para lucrar.
Sob tal viés, cabe notar, primeiramente, que o ser humano tende a replicar ações do coletivo. É perceptível, então, que esse comportamento é consoante ao conceito de Habitus, de Pierre Bordieu, que diz que o indivíduo é induzido a agir como a comunidade para buscar pertencimento, e é isso que o leva a assimilar docilmente essas atitudes e padrões difundidos por influenciadores. Dessa forma, graças aos fatos supracitados, as pessoas são condicionadas a consumir indiscriminadamente o que está sendo divulgado, sem se dar conta de que estão sendo manipuladas por um efeito manada. Dessa maneira, fica claro que o homem compra, usa, gasta e vive segundo a coletividade ao seu redor.
Além disso, como os “influencers” são meros fantoches nas mãos das grandes empresas, que os usam para divulgar seus produtos, os indivíduos, na verdade, estão tendo seu comportamento condicionado pelas grandes empresas. Nesse contexto, é possível referenciar o autor do livro “1984”, George Orwerll, que diz em sua obra que “A marca mantém a mídia e a mídia controla a massa”. Desse modo, é notório que, analogamente à citação, as corporações que investem nos famosos das redes são a marca, que controla as massas ao direcionar o que os influenciadores publicam. Logo, é evidente que essas companhias, que atuam por trás dos perfis de destaque nas redes sociais, se aproveitam desse efeito manada para manipular toda a sociedade à um consumo condicionado por elas.
Portanto, conclui-se que medidas são necessárias para sanar os problemas discutidos. Por esse motivo, cabe às escolas, responsável pela formação intelectual do indivíduo, o desenvolvimento de um senso crítico nos indivíduos desde a tenra idade. Essa ação pode ser concretizada por meio de atividades educativas que permitam os jovens reconhecerem essa influência, incentivando-os a pensar por conta própria e evitando a repetição inconsciente de padrões de consumo condicionados. Somente assim, a sociedade poderia se ver livre desse danoso sistema robótico atual.