Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 11/08/2021

Com a revolução técnico- científico- industrial, a inteligência artificial passou a intermediar as relações sociais, favorecendo o fluxo de informação e transformando as lógicas de mercado. Nesse cenário, os influenciadores digitais são responsáveis por impactar diretamente nas decisões de consumo. Dentre os fatores inerentes a esse fenômeno, ressalta-se o processo de coesão da massa popular e a simbolização dos produtos, promovidos pelos influenciadores nos espaços virtuais.

Em primeiro plano, é válido reconhecer que as ideias divulgadas no ciberespaço promovem uma unanimidade no comportamento da sociedade no que tange às práticas de consumo. Nesse sentido, ratifica-se a tese desenvolvida pelo sociólogo Erving Goffman acerca do conceito de “Mortificação do Eu”, isto é, processo no qual o indivíduo se ajunta a uma massa coletiva em detrimento de seu pensamento individual e crítico. Sob tal ótica, a popularidade e visibilidade dos chamados influenciadores digitais fomentam um ambiente virtual propício à divulgação de produtos, marcas e serviços, levando grupos em massa ao consumo dos bens divulgados. Depreende-se, de forma incontrovertível, que essa mediação entre sociedade e mercado, exercida pelas figuras de relevância das mídias sociais, corrobora os impactos nos índices de consumo.

Em segunda análise, destaca- se, como fator preponderante, a ideia romantizada consolidada pelo mercado em relação aos bens vendidos. Dessarte, é pertinente abarcar o discurso do filósofo Karl Marx quanto ao conceito de “Fetichismo da Mercadoria”, ou seja, o esvaziamento da utilidade concreta de um produto, em função de sua utilidade simbólica. Nesse viés, o mercado, por meio dos influenciadores digitais, sustenta uma concepção romantizada e banalizada em torno dos produtos e a ideia de que as novidades divulgadas e utilizadas pelos indivíduos populares são necessidades. Dessa forma, é indubitável que essa lógica é fundamentada na obsolescência programada e impulsiona um cenário de consumo ilógico.

Infere-se, portanto, que ainda há entraves para a solidificação de políticas que mitiguem os impactos gerados pelos influenciadores digitais nas decisões de consumo. Por isso, o governo federal, como assegurador do bem- estar social, deve, por intermédio de investimentos e estabelecimento de secretaria especializada, implementar “lives” nas mídias sociais com cientistas sociais e economistas para debater sobre os fatores que influenciam as decisões de consumo e a importância de pensar criticamente antes de consumir, a fim de tornar a sociedade mais consciente sobre determinado fenômeno midiático e cibernético. Assim, tornar-se- á possível uma sociedade mais preparada para enfrentar os impactos dos fenômenos evidenciados pela revolução técnico- científico- informacional.