Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 15/08/2021
O conceito de “indústria cultural”, dos filósofos Adorno e Horkheimer, apresenta uma ideia relacionada a padronização de valores transmitidos nos veículos de comunicação, que, fundamentada na lógica capitalista, busca obter ou aumentar o lucro. Analogamente, é possível destacar que, atualmente, grandes representantes desse conceito são os influenciadores digitais, que com seus trabalhos têm grandes impactos nas decisões de consumo da população. Sob essa perspectiva, é evidente que a problemática seja causadora não só de uma manipulação do mercado sobre o comportamento e pensamento das pessoas, mas também a criação de uma ilusão relacionada a ideia de uma vida perfeita em função do consumo.
Em primeiro lugar, é compreensível que os influenciadores digitais, orientados por empresas e marcas, são capazes de manipular o pensamento e comportamento das pessoas, instigando-as a fazer o que é interessante para eles, dentro do sistema capitalista. De acordo com uma pesquisa, realizada pelo Ibope, o chamado de “marketing de influência”, está em crescimento desde 2016 e apresentou que 52% dos internautas brasileiros seguem pelo menos um influenciador. Em virtude disso, o mercado é capaz de moldar as atitudes da população de forma subconsciente, estimulando o consumismo com o engajamento nas redes sociais.
Ademais, é incontestável que a influência através da internet gera uma impressão da “vida perfeita”, principalmente relacionada ao poder de adquirir determinados produtos ou serviços. Segundo a mestre em psicologia Carla Furtado, a diferença entre a felicidade autêntica, legítima e real e aquela posta nas redes é abismal, principalmente porque a primeira é uma experiência interna e não relacionada com a ostentação. Com isso, é notório que a pregação da felicidade como um estilo de vida nas redes, a qual, muitas vezes, é gerada pela valorização do “ter” em detrimento do “ser”, tem um impacto direto nas decisões de consumo e na saúde mental da população.
Fica evidente, portanto, que se faz necessária a mudança de comportamento tanto dos influenciadores digitais, quanto da população. Para isso, os primeiros, em parcerias com as empresas, devem alinhar seu trabalho a responsabilidade de criar um propósito para a evolução da sociedade, de modo a aproveitar sua influência para fazer o bem e levar as pessoas a um modo de vida responsável. Além disso, deve-se haver uma conscientização em massa dos internautas, para que estes fiquem mais atentos à influência que estão sendo submetidos. Dessa forma, será possível diminuir o controle da indústria cultural na vida das pessoas, que serão capazes de desenvolver senso crítico e fugir da dominação.