Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 12/08/2021

O chamado “American Way of Life” ou ainda “estilo de vida americano” foi um modelo de comportamento surgido nos Estados Unidos após a Primeira e a Segunda guerra mundial, que afirmava que a felicidade poderia ser alcançada por meio da aquisição de bens materiais. Apesar de estar inserido em um contexto histórico do século XX, a busca por bem-estar mediante o consumo ainda é uma realidade e sofre manutenção pela atuação dos “influencers” nas redes sociais. Assim, a indução às compras geralmente presente nas postagens desses criadores de conteúdo contribui com o consumo exacerbado e desnecessário, que está diretamente ligado a sérios problemas ambientais.

Nesse aspecto, conforme Cecília Prado, socióloga e professora da Universidade de São Paulo, por possuírem linguagem simples e acessível, e por serem capazes de estimular o sentimento de proximidade e até mesmo de intimidade com o público, os criadores de materiais online, presentes principalmente no youtube, instagram, facebook e tiktok, influenciam cada vez mais pessoas, sobretudo jovens e adolescentes. Isso é comprovado por um estudo realizado pela Youpix, que mostrou que 64% dos indivíduos de 18 a 34 anos já usaram influenciadores digitais como fonte para conhecer uma marca ou comprar algum produto.

Dessa forma, o consumo desenfreado e irresponsável, especialmente de itens supérfluos e dispensáveis, se torna cada vez mais comum pelo contato constante com a internet. Diante disso, o meio ambiente tem sofrido danos irreversíveis para suprir a demanda do mercado, visto que a extração de matéria prima para produção de mercadorias variadas em grande escala gera desmatamento e uso desregrado de importantes recursos naturais, como a água. Além disso, as aquisições exageradas contribuem com o aumento da quantidade de lixo, que geralmente é descartado de forma inadequada, podendo favorecer a poluição de os lençóis freáticos e a liberação de gases estufa, como o metano (CH4).

Portanto, com o intuito de induzir um consumo mais consciente, é necessário que o Ministério da educação, em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente, encontre formas de promover o aumento do senso crítico dos jovens, principais usuários das redes sociais. Isso deve ser feito por meio de oficinas de discussão e palestras, ministradas por “influencers” ligados à sustentabilidade e às aquisições responsáveis, e por profissionais associados à preservação ambiental, que ressaltem que a busca pela felicidade e bem-estar por intermédio do consumismo pode provocar muita tristeza futura, dado que os impactos à natureza são preocupantes e, na maioria das vezes, inconvertíveis.