Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 13/08/2021

Consoante a visão do filósofo Aristóteles, a ciência política se sobrepõe com relação as outras, estando ela para o exercício do bem coletivo. Entretanto, esse pensamento não condiz com a realidade brasileira, uma vez que com o avanço do capitalismo e da globalização, as relações são baseadas, de maneira mais imersa, no meio virtual, fato esse que não é diferente no que se diz respeito a coerção dos influenciadores digitais nas decisões de consumo. Nesse sentido, deve-se analisar não só a desinformação, mas também a falta de autonomia do pensamento da população.

Em primeira análise, é cabível ressaltar que o individualismo se sobressai em detrimento do coletivismo, o que corrobora com a desinformação das massas. Visto isso, segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, as relações do mundo hodierno são voláteis, fluidas e não foram feitas para durar. Sob esse viés,, é válido salientar que os influenciadores digitais, além de serem formadores de opinião, são capazes de modifiicar o modo de agir e interesses das pessoas que os seguem, mostrando, de maneira evidente a confiança das pessoas nas escolhas relacionadas àquilo que divulgam. Destarte, é perceptível que com os influencers, a perspectiva de Bauman não é diferente, dado que alguns fazem divigulação de um produto afirmando os benefícios, e até funcionalidades irreais, sendo que eles nem possuem conhecimento sobre o funcionamento e o que tem naquela mercadoria e acabam, mesmo sem a intenção, fazendo circular produtos e conteúdos enganosos.

Soma-se a isso, a interferência direta do marketing digital no modo de pensar dos indivíduos. Sob esse viés, é imprescindível citar uma caracterítica psicológica denominada como “comportamento de manada”, que nada mais é do que um conceito que faz referência ao comportamento de animais que se juntam para se proteger de algum predador. Analogamente, ao se aplicar aos seres humanos, refere-se à possibilidade das pessoas de seguirem algum influenciador digital, sem ao menos pensar, de maneira crítica, acerca do que foi exposto por ele, o que causa a padronização do pensamento das massas. Isso acontece porque, quando os indivíduos vêem várias pessoas utilizando um mesmo produto, têm-se para si próprios que a mercadoria é boa, mas na maioria das vezes não é essa a realidade.

Logo, entende-se que a problemática urge por medidas interventivas pois fere com o pensamento crítico da população. Desse modo, é dever da escola valorizar a educação como forma de incitar aos alunos a procurarem a procedência dos produtos , além de ensinar a eles terem um pensamento crítico, por meio de materiais e eventos elucidativos, que abordem sobre os influenciadores e o impacto que eles causam nas pessoas, tendo como fito formar pessoas mais críticas. Assim, é possível alcançar uma sociedade que esteja para o bem coletivo, como pautava Aristóteles.