Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 13/08/2021
No filme “Amor.com”, a atriz Isis Valverde interpreta uma influenciadora digital e em uma das cenas ela perde um contrato com uma empresa de perfumes pois o seu namorado posta uma foto dela onde, ao fundo, aparece um frasco de perfume da marca concorrente. Assim como na ficção, na vida real a internet e as redes sociais possuem um impacto considerável nas decisões de consumo das pessoas. Diariamente, os indivíduos são influenciados a comprar produtos e serviços e a opinião de outros, mesmo que inverídica, exerce forte poder sobre suas escolhas.
A princípio, vale destacar que a Revolução Industrial e o fortalecimento do capitalismo mudaram a forma de consumo da sociedade moderna com o advento da produção em série e dos avanços tecnológicos. Além disso, o surgimento da internet proporcionou acesso amplo aos mais variados tipos de produtos e serviços, segundo a pesquisa TIC domicílios, 70% da população brasileira está conectada a internet, o que significa que a maior parte dos indivíduos recebem algum tipo de influência digital nos seus padrões de consumo. Dessa forma, surgiu o que a sociologia denominou de “sociedade do consumo”, na qual as pessoas são, constantemente, levadas a acreditar que precisam adquirir cada vez mais bens e serviços, alimentando a máquina da produção capitalista que segrega a população e aumenta os abismos sociais.
Ademais, uma pesquisa do Instituto Qualibest, mostrou que os influenciadores digitais já são a segunda maior fonte de informação para a tomada de decisão dos consumidores, o que abre precedentes para questionamentos sobre a responsabilidade que essas pessoas possuem frente a vida do outro. No filme citado, foi apenas um perfume, mas poderia ser um medicamento ou tratamento estético que colocasse em risco a vida do indivíduo. Os influenciadores passam uma ideia de perfeição, de que “quanto mais se tem mais aceito você é” e o público é influenciado por isso, criando um desejo insaciável de consumo, o que mantém viva a engrenagem do capitalismo e impede o avanço do consumo consciente e da sustentabilidade.
Portanto, com o intuito de diminuir os impactos da influencia digital exacerbada e irresponsável, o Governo Federal, através do PNE (Plano Nacional de Ensino), deve incluir na grade curricular escolar ferramentas de ensino como palestras, seminários, fóruns que trabalhem junto ao aluno o consumo consciente. Assim, os jovens aprenderão a filtrar as influências de consumo e escolher, de forma consciente, produtos e serviços que atendam às suas necessidade sem se colocar em risco e que contribuam para o desenvolvimento sustentável.