Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 13/08/2021

De acordo com o filósofo contemporâneo Leandro Karnal, a cultura é configurada como um mecanismo sensor, isto é, por meio de ferramentas como a música, os costumes sociais e, até mesmo, as mídias, comportamentos humanos são, não raro, moldados e estimulados.Nesse cenário, salienta-se o crescimento dos influenciadores digitais - presentes na internet - como fator determinante de incentivo ao consumo, uma vez que esses, beneficiando-se do escasso estímulo ao pensamento crítico, sobretudo nas escolas, padronizam e perpetuam modos de vida e ações comunitárias.

De fato, o crescimento das redes sociais, no País, evidenciou o poder que os influenciadores digitais - comumente conhecidos como blogueiros - possuem sobre as decisões individuais e coletivas.Partindo desse pressuposto, cita-se o conceito de Fetiche Mercadológico, defendido pelo sociólogo Karl Marx, o qual evidenciou que o valor dos objetos, no mundo capitalista, não está subordinado à funcionalidade ou à eventual necessidade desses, mas está atrelado ao poder e ao status social que o produto representa.Depreende-se, logo, que o aumento do consumo alicerçado na influência das redes sociais, no Brasil, viabiliza, infelizmente, a acumulação irracional e acrítica, visto que a aquisição de bens - duráveis ou não - é baseada, principalmente, na necessidade de inclusão aos grupos cibernéticos e no uso desenfreado de produtos que, na maioria das vezes, mostram-se supérfluos e prescindíveis.

Além disso, cumpre ressaltar que o poder dos sujeitos influentes, na internet, é validado, em especial, devido à escassa formação escolar baseada na análise questionadora acerca da sociedade e das relações que a constituem.Em face disso, salienta-se que a ausência de estímulos às ciências humanas - como Filosofia e Sociologia - que se traduz na baixa remuneração salarial e, também, na ínfima carga horária nas escolas brasileiras funciona como ferramenta de alienação social e, consequentemente, de consumo, uma vez que forma indivíduos inconscientes e facilmente manipulados pelas mídias cibernéticas.Infere-se, então, que a formação acrítica presente nos colégios facilita o poder coercitivo que os influenciadores digitais possuem sobre o público, o qual torna-se consumista.

Evidencia-se, portanto, que o Sindicato dos Professores deve, em reuniões com o Ministério da Educação, estabalecer o aumento do piso salarial aos mestres em ciências humanas e, também, instituir o aumento da carga horária para essas áreas de conhecimento nas escolas.Com isso, os recursos deverão ser transferidos para a realização de eventos anuais que visem à conscientização dos alunos sobre as mídias sociais e a coerção dessas no consumo, estimulando-os a, de forma racionalista, pautarem suas ações na real necessidade, e não no poder ou status de mercado.Com isso, certamente, a influência negativa dos influenciadores digitais será, por meio da instrução, minorada.