Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 13/08/2021

A série estadunidense “Emily in Paris” narra a ascensão da protagonista, Emily, nas redes sociais, tornando-se uma influenciadora digital através de suas criativas ideias de marketing. Fora da ficção, é possível associar o enredo da série ao atual panorama social, uma vez que, com o grandioso advento das plataformas digitais e dos aparelhos, houve uma revolução nas relações pessoais, além dos impactos nas decisões de consumo. Assim, seja pela urgência de combater a padronização do consumo, seja pela necessidade de promover o senso crítico para as pessoas, essa questão requer intervenção imediata.

De início, é necessário ressaltar que os filósofos Theodor Adorno e Max Horkheimer elaboraram o conceito de “Indústria Cultural” que se refere ao fazer cultural e artístico sob a lógica da produção capitalista, desse modo, o lucro e o consumo em massa são as bases primordiais dessa ideia. Partindo disso, é possível estabelecer um paralelo com a influência exercida nas redes sociais, posto que a divulgação de produtos por figuras públicas influi, diretamente, nas decisões de compra dos espectadores, corroborando a manipulação sutil do consumo e a padronização cultural, ja que grupos heterogêneos passam a ter os mesmos hábitos.

Outrossim, conforme a pesquisa sobre o Uso das Tecnologias de Informação e Comunicação nos Domicílios Brasileiros, de 2019, cerca de 70% da população brasileira está conectada à internet. Dessa forma, as empresas veem as mídias sociais como uma excelente forma de promover o marketing e de conseguir estabelecer com o consumidor uma comunicação eficaz e direta. Entretanto, a carência de senso crítico em muitos indivíduos fomenta a compra de produtos que, muitas vezes, não funcionam ou não são necessários, devido à ilusão propagada por influenciadores digitais, os quais, em geral, passam a impressão de uma vida perfeita. Portanto, enquanto não houver consciência de consumo, as pessoas continuarão manipuladas.

Logo, o Ministério da Educação deve elaborar políticas e diretrizes que promovam o ensino tecnológico nas instituições de ensino, por meio de aulas ministradas por instrutores capacitados, que mostrem a importância do senso crítico para evitar a manipulação e a alienação no ambiente digital. Isso deve ser feito com o intuito de combater os impactos externos nas decisões pessoais e evitar o consumismo, criando, assim, uma sociedade racional capaz de pensar sem interferências ilusórias de outras pessoas.