Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 14/08/2021
As redes sociais são vitrines que vendem uma vida ideal e editada de um indivíduo para que os outros a vejam e consumam suas fotos, suas ideias e o seu estilo de vida. Por conseguinte, essa “vida ideal” influência as formas de consumo modernas a partir de dois prismas complementares: a economia da atenção, que estrutura o engajamento nas redes, e a nova era da comunicação heterogênea, em substituição a uma era em que se consumia informação de maneira homogênea.
Em primeiro plano, é nítido como os influenciadores digitais são os protagonistas na divulgação de produtos e marcas, tal divulgação acontece por meio do engajamento com algum nicho específico que esses protagonistas dominam na internet ou por sua relevância em números de seguidores. Consoante o documentário “Dilema das Redes”, as engrenagens das redes sociais são desenhadas para manter o usuário o maior tempo possível on-line e por conseguinte exibir o maior número de propagandas para vender um serviço ou produto, o que é chamado de economia da atenção. Dessa forma, urge que os usuários de redes sociais consigam distinguir se de fato precisam daqueles produtos que são anunciados pelos influenciadores ou se estão apenas sendo persuadidos pelas engrenagens da rede.
Além disso, antes era papel dos grandes conglomerados de mídia fazerem uma ponte com as grandes massas, em uma era homogênea da comunicação, hoje vive-se uma comunicação heterogênea, sem intermediador, na qual os influenciadores falam direto com o seu público. Partindo dessa assertiva, o filósofo Byung Chul Han, disserta no seu livro “No enxame: Perspectivas do digital”, sobre um fenômeno atual, no qual os intermediários, a mídia tradicional, são vistos com desconfiança por boa parte da população, por não terem a suposta transparência e proximidade que os influenciadores digitais possuem. Portanto, é muito grande a responsabilidade dos influenciadores digitais com relação a veracidade da comunicação ou publicidade que compartilham, pois a proximidade que possuem com o público abre uma margem de conexão que a mídia tradicional nunca atingiu.
Destarte, o governo poderia criar leis e regulamentações que garantissem a transparência das publicidades on-line, por meio do poder legislativo, criando dispositivos que facilitassem a identificação de quando uma publicidade é enganosa ou duvidosa - uma vez que os consumidores on-line teriam uma proteção de que não estão sendo enganados - a fim de que houvesse uma maior fiscalização do que se é divulgado comercialmente nas redes. Assim, os consumidores on-line veriam as “vidas ideais” e editadas dos influenciadores digitais com mais cautela e precaução na hora de comprar produtos.