Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 13/08/2021

Lima Barreto, em “Os Bruzundangas”, publicado postumamente em 1922, faz uma sátira da vida brasileira nos anos iniciais da Primeira República, nos quais diversos problemas sociais, econômicos e culturais eram vivenciados pela teia coletiva. Fora do contexto literário ,quase um século após a sua publicação, infelizmente, ainda são persistentes imbróglios no seio social tupiniquim, uma vez que  os impactos nas decisões de consumo por influenciadores digitais impede o funcionamento harmônico das engrenagens nacionais. Com efeito, essa chaga mantém-se seja pela letárgica atuação coletiva, seja pela inobservância do poder público. Urge, assim, a necessidade de analisar e de buscar meios para atenuar esse cenário.

Nesse contexto, é incontrovertível que a omissão social é fator cristalizador desse infortúnio. A respeito disso, o sociólogo Pierre Bourdieu afirma que a maneira a partir da qual os indivíduos incorporam, reproduzem e legitimam a estrutura social a que pertencem, resultará na promoção de padrões comportamentais. Nessa lógica, sob o prisma do pensamento bourdiano, é notório que a ineficaz atuação da sociedade frente a estas decisões é resultado de deturpados costumes - enraizados na teia coletiva - como por exemplo a autocomparação . Em consequência disso, a teia social encontra-se em anomia; prova disso é que o Brasil ocupa a 84° posição no ranking de 189 países analisados no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Por outro lado, é fulcral destacar a inoperância estatal como agente catalisador dos desafios vigentes. Nesse viés, consoante ao pensamento filosófico de John Rawls, a “justiça social” é uma construção moral e política baseada na igualdade de direitos. No entanto, essa tese não é vivenciada no hábito, haja vista as ínfimas ações do Estado- gestor do bem-estar coletivo -, as quais resultam em políticas públicas falhas que tornam ineficazes as garantias conquistadas em 1988 com a Constituição Cidadã. Assim, essa prerrogativa entra em consonância com o pensamento de Gilberto Dimenstein, que, em sua obra “Cidadão de Papel”, descreveu a legislação brasileira com ineficaz, visto que, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes não se concretizava.

Para isso, faz-se mister buscar ações para sanar esse quadro. Com isso, convém ao Congresso Nacional, mediante aumento nos investimentos - os quais serão possibilitados por uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias - ampliar o setor digital, por meio de fiscalizações das verbas direcionadas à área, com vistas à consolidação de um cenário permeado da coexistência harmônica e eficaz entre legisladores e civis. Com isso, a hodiernidade será afastada dos dilemas enfrentados pela sociedade bruzundanguense.