Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 15/08/2021
Em 2010, o mundo presenciava o surgimento do “Instagram”, uma rede social on-line, cujo objetivo era o compartilhamento de fotos e vídeos entre seus usuários, de modo a potencializar a interação social. Entretanto, a imprensa social norte-americana possibilitou a ocorrência de um dos fenômenos mais importantes para a indústria cultural: a mídia influenciadora, que representa grave problema, seja por vulnerabilizar o consumidor, seja por evidenciar padrões estéticos improváveis.
Diante desse cenário, foi na Escola de Frankfurt que surgiu o conceito de indústria cultural, pelos filósofos Theodor Adorno e Max Horkheimer, segundo o qual a publicidade utiliza da persuasão constante, a fim de moldar um comportamento de compra. Nesse viés, a influência digital é motivada pelo discurso midiático denunciado por Adorno e reafirma a ideologia imprópria e egoísta, que eleva os impactos e fragiliza nas decisões consumidoras da sociedade.
Ademais, persiste no Brasil o culto aos padrões estéticos, incentivados diariamente pelas mídias sociais. A esse respeito, o filósofo francês Guy Debord, em sua obra “Sociedade do Espetáculo”, defende que as relações coletivas são medidas por imagens que podem oferecer falsa perfeição. Nesse sentido, as fotos e publicidades postadas nos meios comunicativos e estimuladas por influenciadores digitais, em regra de forma excessiva, confirmam o fenômeno denunciado por Debord e colaboram para construir a necessidade do status. Ocorre que a superexposição pode causar baixa autoestima e depressão naqueles que não alcançam a perfeição imposta na internet.
As redes sociais precisam, portanto, valorizar a interação humana e não o contrário. Nesse sentido, as escolas, cuja função é promover cidadania, devem contribuir para desestimular o consumismo e a ultraexposição gerada pelas redes sociais e evidenciadas pela mídia, por meio de um projeto pedagógico composto por palestras e oficinas. Essa iniciativa teria a finalidade de combater a vulnerabilidade e a cultura padronizada pelos influenciadores digitais. Assim, a nação brasileira deixará de ser, enfim, uma sociedade de espetáculo.