Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 20/09/2021

O Teatro do Oprimido, criado por Augusto Boal, nos anos 70, busca transformar, através do recurso da quarta-parede, o próprio espectador teatral em sujeito atuante, tornando-o ator de sua própria cidadania. Analogamente às ideias do teatrólogo brasileiro, faz-se preciso, hoje, que o corpo social assuma posição em face dos impactos dos influenciadores digitais nas decisões de consumo para a sociedade. Nesse sentido, com o intuito de reverter esse quadro, o debate público deve se ocupar das análises sobre o pensar autônomo e a fácil manipulação de dados.

A princípio, torna-se relevante pontuar que a massificação de pensamentos é fator primordial para a perpetuação do cenário. Sob esse ótica, o filósofo alemão Theodor Adorno defende uma formação humanística, capaz de criar a consciência crítica. Nesse contexto, as mídias sociais atuam como “vilões” da autonomia, o que traz como consequência a alienação, principalmente de jovens, e a renúncia do livre arbítrio com a intenção de se encaixar à sociedade contemporânea, o que vai ao encontro do dito pelo fundador da Escola de Frankfurt.

De modo análogo, há de ser considerado o fácil controle de informações como impulsor do impasse. Diante disso, a obra de Aldous Huxley, “Admirável Mundo Novo”, projeta como seria uma sociedade padronizada pela falta de poder de escolha, onde o Governo oferecia uma única opção que, aos olhos da população, parecia satisfatória. Não obstante a ficção, quando um influenciador mostra só os benefícios de um produto, visto que ele está sendo remunerado para fazê-lo, tira do consumidor a habilidade de conhecer integralmente o produto, o que ocasiona na insatisfação popular após realizada a compra do produto.

Urge, portanto, que o panorama advindo do pensamento alienado e da manipulação de cidadãos seja combatido. Para tal, cabe ao PROCOM - Instituto de Proteção e Defesa ao Consumidor - facilitar o processo de denúncias de casos de falsa propaganda realizada por um influenciador digital, por meio da redução de burocracias ao denunciar no ato da chamada ou contato. Além disso, é dever do próprio consumidor saber de seus direitos no ato da compra. Cabe, então, ao Ministério da Educação adicionar ao currículo básico comum uma disciplina sobre os direitos do consumidor, para que a atual geração aprenda a identificar propagandas fraudulentas. Assim, retomando o teatrólogo supracitado, será possível atuar contra esse cenário opressivo.