Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 22/08/2021
Guy Debord, filósofo francês, definiu, no século XX, o conceito de Sociedade do Espetáculo: contexto social em que a realidade virtual se sobrepõe à própria realidade concreta vivida pelos indivíduos. Com isso, percebe-se que a ideologia de Guy Debord se encontra na contemporaneidade, haja vista que as decisões de consumo são completamente influenciadas pelo meio online, a exemplo dos influenciadores digitais. Dessa forma, é de suma importância analisar as causas e as consequências desse fenômeno: a difusão de mecanismos de controle social e a propagação de “fake news”.
De início, Michel Foucault, autor da obra “Vigiar e Punir”, denúncia que o poder não se concentra apenas no setor político, mas sim está disseminado na sociedade. Acerca disso, a afirmação de Foucault se mostra presente nos influenciadores digitais e se manifesta nas decisões de consumo, na medida em que esses indivíduos virtuais, através das mídias comunicativas, controlam o desejo de compra das pessoas, as quais interiorizam e reproduzem a mentalidade desse público. Logo, enquanto os “influencers” atuarem como uma fonte de poder, os consumidores permanecerão em seu controle, uma vez que as redes socias agem como “antolhos”: delimitam a visão de compra de seus seguidores.
Além disso, Leandro Karnal - expoente pensador - afirma que o mundo virtual possibilitou que qualquer cidadão se tornasse um autor com autoridade. Nesse viés, o filósofo brasileiro complementa a teoria da Sociedade do Espetáculo, visto que por trás de um “nickname”, todos os usuários comentam e influenciam opiniões alheias como se fossem especialistas no assunto; todavia, a maioria não apresenta nenhum embasamento nas suas supostas teses. Ou seja, na Internet há diversos influenciadores que vendem e divulgam mercadorias sem nem conhecer o produto, o que engana múltiplos compradores, já que são vítimas de uma falsa propaganda. Assim, não é razoável que os usuários das redes continuem a se passar por especialistas, pois colabora com a proliferação de “fake news” e, consequentemente, desvaloriza o comércio.
Portanto, para que o consumo hodierno seja benéfico para homens e mulheres, os influenciadores digitais devem abandonar as “fake news” e dar lugar a depoimentos verdadeiros, por meio de publicações íntegras do uso de certo produto no seu dia a dia: divulgação de informações e resultados que foram obtidos com a mercadoria. Essa iniciativa poderia se chamar “Macrofísica da Informação” e teria a finalidade de atenuar o poder de influência nas redes sociais e, desse modo, fazer com que as pessoas não se restrinjam a opinião de um único influenciador. Feito isso, os usuários poderão expandir as suas fontes de influência e, consequentemente, utilizar o senso crítico para a efetuação de compras.