Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 22/08/2021
Em um dos episódios da série televisiva Black Mirror, é retrata a realidade de uma época em que os mesmos são julgados mediante seu engajamento nas redes sociais, levando os usuários a viverem imitando o estilo de vida que apresentam empenho maior nas redes. É notório que a trama aborda, de maneira enfatizada, a vivência dentro das mídias sociais na contemporaneidade, visto que os grandes perfis dos influenciadores digitais têm levado os seguidores a invejarem um padrão de vida irreal. Consequentemente, tal cenário tem aumentado o consumismo por parte dos usuários que buscam igualar-se aos seus ídolos comprando produtos que são sugeridas por eles.
Em primeira análise, faz-se necessário destacar o cenário fantasioso publicado pelos influenciadores. Atualmente, ser influenciador digital tornou-se uma profissão; de acordo com os dados oficiais fornecidos pela plataforma digital “Instagram”, de janeiro de 2018 a março de 2019, os posts na rede social com conteúdo patrocinado aumentaram em 120%. Dessarte, o ofício do profissional digital é vender a imagem de determinado item ou serviço e, para isso, muitas vezes, é preciso criar um contexto publicitário utópico repleto de tendência, glamour ou praticidade para a vida, na intenção de convencer o telespectador de que com suas qualidades ele se sentirá realizado. Sendo assim, o seguidor acaba por desejar o modelo de vida divulgado, acreditando em todo o contexto elaborado apenas para a venda.
Por conseguinte, o público passa a comprar cada vez mais os bens de consumo decorrente pelos influenciadores, à procura de alcançar as supostas experiências divulgadas. Nesse viés, tal circunstância aplica-se à ideia do escritor britânico George Orwell, de que a marca mantém a mídia ea mídia controla a massa. Consoante esse quadro, Orwell sintetiza o poder que a publicidade tem em ditar comportamento para estimular o consumo de determinados produtos. Posto isso, o “ter” sobrepõe-se ao “ser”, mediante o contexto do consumismo constante.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para reeducar uma sociedade de acordo com a nova realidade publicitária, urge que o Ministério da Educação implemente à nota curricular dos estudantes do Ensino Médio - por meio de redirecionamento de verbas - uma disciplina de Educação Financeira, com o intuito de instigar desde cedo os jovens -adultos cuidam de suas finanças para que não cedam ao consumismo. Dessa maneira, será possível filtrar as publicidades fornecidas freneticamente através dos influenciadores digitais.