Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 22/08/2021

Getúlio Vargas, ao assumir a chefia do governo em 1930, elaborou um projeto visando à consolidação de uma identidade nacional difundida pela sua imagem de grande líder. Evidentemente, o fato histórico relaciona-se com o cenário hodierno do surgimento de influenciadores digitais devido ao vínculo com os fenômenos de indústria cultural e sociedade do espetáculo, ambos instaurados no século XX, período de grandes avanços técnico-científicos. Desse modo, é fundamental tomar medidas cabíveis para moderar a problemática.

Nesse viés, convém destacar as raízes históricas que consolidaram a temática em questão. A princípio, os avanços tecnológicos proporcionados pela Revolução Industrial resultaram na massificação cultural, fator responsável pelo enraizamento do consumo imponderado. Segundo Theodor Adorno, o entretenimento sofreu diminuição em sua complexidade para satisfazer os consumidores e, uma vez satisfeitos, usarão as obras como parâmetro comparativo — a arte só é aprovada se condiz com a ideologia dominante. Com isso, uma vez que os produtos são apresentados de determinada maneira e aprovados pelo público-alvo, passam a ser difundidos como universais, processo atualmente fomentado pelos influenciadores digitais. Sendo assim, compreende-se o fortalecimento dos novos critérios de publicidade na conjuntura hodierna.

Vale ressaltar, ainda, a influência das redes sociais na amplificação do consumismo. A noção de sociedade do espetáculo, de Guy Debord, explicita a mediação das relações sociais baseadas na imagem, que passa a ser mais valorizada que a própria realidade. Relacionando o pensamento do autor à realidade atual, entende-se que, decorrente da extrema valorização da imagem, o consumismo prosperou, visto que a plena realização surge quando o indivíduo corresponde aos moldes de consumo esperados. Além disso, constata-se como a satisfação pessoal do consumidor é moldada pelas personalidades influentes, responsáveis pela publicidade dos bens tidos como desejáveis e por atrelar o consumismo às sensações de liberdade de escolha e individualidade. De tal maneira, são perceptíveis os impactos da mídia na consolidação do consumismo.

Em suma, percebe-se a mudança de paradigmas na publicidade advinda do surgimento dos influenciadores digitais. Portanto, cabe ao Ministério da Educação a inserção do tema na grade curricular dos ensino fundamental e médio, por meio da realização de palestras nas salas de aula, visando mitigar a influência exacerbada das personalidades no consumo impensado e conscientizar os jovens a respeito da responsabilidade civil das celebridades. Dessarte, será possível desfrutar de um cenário distante do apresentado pelo pensador Guy Debord.