Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 22/08/2021
O documentário “O Dilema das Redes” da Netflix, apresenta a dinâmica envolvida no uso de algoritmos e recolhimento de dados nos aplicativos de redes sociais para direcionar postagens específicas, por exemplo, produtos os quais agrade o usuário. Analogamente, no atual cenário global e com a inserção de mais pessoas na internet, os “influencers” ganharam mais espaço na mídia, dado que, empresas os encorajam para mostrar um estilo de vida impecável e estímular o consumo. Dessa forma, isso deve-se majoritariamente pela mentalidade social e a ausência de educação financeira, reforçando a tribulação apresentada.
Sob essa óptica, é inegável que diversas multinacionais aproveitam a fama dessas pessoas para divulgarem incessantemente e adquirirem lucro de maneira ágil. Assim, séries, novelas e as própria mídia criam interações as quais, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, é definida como modernidade líquida, pois a velocidade como as relações se apresentam e a sua obsolescência programada, mostram como os influenciadores conseguem induzir a sociedade. À luz desse pensamento, é notório que, inconscientemente, as pessoas são alienadas a seguirem um comportamento globalizado, porquanto, produtos os quais garantem mais status - seja pelo seu preço ou por quem ele foi divulgado - são mais almejados em detrimento de outros semelhantes.
Outrossim, é inevitável que com a falta de instrução educacional em relação ao controle de gastos, ocorra o endividamento bancário. Nesse sentido, consoante a pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 69,7% das famílias verde-amarela ficaram com o saldo negativo no primeiro semestre de 2020. Sendo assim, é perceptível que uma população a qual é constantemente exposta a propaganda e aos “digital influencers”, não consiga administrar seu comportamento consumista, sendo-lhes criado um desejo de compra, mostrando mais uma vez os impactos dessas práticas no corpo social.
Portanto, de acordo com a problemática supracitada, é dever do governo federal, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), fiscalizar as coletas de dados pessoais pelas empresas desenvolvedoras de aplicativos, tal como, urge a necessidade de conscientizar os cidadãos para evitar atitudes de consumo exarcebado em decorrência dos influenciadores. Dessa maneira, por meio da imposição de leis protecionistas e projetos escolares - como palestras e a obrigatoriedade da educação digital e financeira - possibilitar-se-á, a longo prazo, uma comunidade mais cautelosa e conhecedora da programação presente nas redes, como foi apresentado pelo documentário, evitandos que os indivíduos se tornem os produtos.