Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 22/08/2021

A globalização é um processo de integração mundial, que tornou as relações complexas e encurtou as distâncias devido ao efeito das novas tecnologias. Nessa aldeia global, o advento da internet não apenas conectou os indivíduos mas também transformou as interações sociais. Diante disso, as redes sociais desempenham o papel de um comércio e os influenciadores digitais induzem o consumo. Assim, cabe analisar como o consumismo e a exclusão social agravam o cenário.

Diante dessa realidade, convém ressaltar que o capitalismo, sistema econômico baseado na obtenção de lucro, cria um mercado compulsivo e inconsciente. Segundo a Escola de Frankfurt, a mídia de massa, voltada ao entretenimento, serve aos interesses econômicos e caracteriza-se como sensacionalista, fútil, consumista, superficial e alienada. Inclusive, uma de suas vertentes é a cultura massiva, a qual prima pela homogeneização da sociedade pós-moderna. Sob esse viés, é possível depreender que, com intenção de gerar capital financeiro, os profissionais da internet contribuem para a aquisição desenfreada de produtos superflúos. Nesse sentido, os seguidores são, implicitamente, forçados à compra, visto que, mesmo sem a necessidade de possuir um novo produto, são influenciados pelo discurso crível da publicidade. Dessa maneira, gera-se a uniformização dos corpos e o desconforto de classes.

Outrossim, a vontade de estar incluído em um corpo social marcado pelo status e pelos capitais simbólicos determinam as decisões de consumo. Sob a óptica de Erving Goffman, a supervalorização da aparência e a apreciação da imagem são características de uma comunidade espetacularizada e imagética. Nessa perspectiva, o cidadão é pressionado, pela indústria cultural, à estar, periodicamente, dentro dos padrões sociais e à seguir os estilos de vida das celebridades. Isso ocorre, principalmente, como forma de movimentar as vendas e trocar benefícios entre as empresas e os “influencers”, independentemente das hierarquizações existentes. Consequentemente, minorias são maginalizadas e sua dignidade violada.

Portanto, infere-se medidas para mitigar o impacto das decisões de consumo providas pelos influenciadores digitais. Destarte, compete ao Ministério da Educação, responsável por definir políticas e diretrizes educacionais, promover a diversidade, por meio de projetos escolares de representatividade que demonstram a realidade e reforçam a identidade cultural, a fim de desenvolver jovens conscientes e reduzir a imposição de ideias excludentes. Ademais, a mídia deve divulgar propagandas de mercadorias acessíveis e realizá-las de modo menos opressor. Feitas essas ações, espera-se alcançar a cidadania plena.