Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 22/08/2021

Na série britânica Black Mirror, no episódio intitulado “nosedive”, é retratada uma crítica as influências na vida de uma sociedade baseada na aprovação ou exclusão de indivíduos de acordo com “status” nas redes sociais. A personagem principal, Lacy, se encontra em uma manipulação ideológica dela mesma, para uma tendência consumista objetivando se adequar ao padrão daquela sociedade representada. De maneira análoga, percebe-se, que as pessoas são impactadas negativamente pela Internet pelas relações de consumo, uma vez que é criada uma idealização ilusória de satisfação após adquirir produtos alvejados. Desta forma, a indústria cultural, que se alia ao sentimento humano, sustentam as razões para este entrave humano.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que a autonomia humana é corrompida pela imposição de hábitos de fins capitalistas em sociedade. De acordo com o sociólogo Alemão, Theodore Adorno, afirma que o uso das mídias sociais por influenciadores, consequentemente incentivando um consumo, representa um padrão comportamental da população. Nessa perspectiva, aos indivíduos se depararem com inúmeros anúncios associados com  os influenciadores que elas seguem, por meio da alienação, renunciam seu senso crítico para avaliar a real necessidade de adquirir esse produto, o que leva ao consumo exacerbado. Por isso, consequentemente, mesmo apesar dos “influencers” conseguirem instigar os anseios capitalistas da população, mais uma vez isso significará uma derrota para a humanidade devido à perda da análise crítica da vida e do controle de hábitos pessoais.

Além disso,  a alienação facilita a manipulação em massa destas pessoas, que por meio de discursos apelativos, provocam o consumo excedido. Como espécime, durante a Segunda Guerra Mundial, Adolf Hitler possuia um discurso poderoso e manipulador que ressaltava a raça ariana, e que com sua linguagem extremamete apelativa e incisiva, arrastou milhares de alemães para a prática do Nazismo. Este acontecimento, se repete atualmente com a mesma essência da falácia, já que influenciadores argumentam para seus seguidores e interferem na compra de produtos que não são usados por essas personalidades.

Depreende-se, portanto, a necessidade da redução do tendencionalismo comercial por “digital influencers”. Para isso, cabe ao Ministério da Comunicação - principal órgão da veiculação audiovisual - a reformulação do regulamento sobre a publicação publicitária via internet que, através de especialistas em publicidade e propaganda, será responsável pela contenção do viés capitalista e idealizador de anúncios a fim de promover uma reflexão crítica à sociedade sobre a necessidade consumista real. Somente assim, pessoas como Lacy não terão sua autonomia corrompida pelas influências digitais.