Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 22/08/2021
No final dos anos oitenta, com a abertura da internet para o uso comercial, ocorreu a popularização do universo digital, acontecimento que possibilitou o surgimento de novas profissões, como a de influenciador digital. Tal prática, no hodierno tem impacto direto nas decisões de consumo, e se expressa positivamente, por redirecionar as compras para setores em ascensão da economia e negativamente, por tornar o consumo mais imediato e superficial. Portanto, devido à relevância do tema, os impactos dos influenciadores nos consumidores precisa de debate e resolução.
Inicialmente, é válido analisar o poder de redirecionamento do consumo. Sob essa óptica, devido à relação de proximidade proveniente do modelo de comunicação entre o “influencer” e seus seguidores- realizado majoritariamente por meio de vídeos curtos e interações em redes sociais como o Instagram e o Twitter- as personalidade digitais tem a capacidade de dar visibilidade e abrir novos caminhos para pequenos produtores e empresas em ascensão, questão que impacta positivamente na economia dos países. A título de exemplificação, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil a produção das micro e pequenas empresas quadruplicou em dez anos e representa 27% do PIB do país. Assim, pode-se concluir que os influenciadores mediante divulgação redirecionam o consumo e promovem empreendedores que auxiliam a economia.
Para mais, observa-se o papel dos influenciadores de tornar o consumo mais imediato e superficial. Tal situação ocorre de maneira análoga ao Efeito Manada teorizado pelo psicólogo Dan Ariely, que afirma que os indivíduos tendem a repetir ações realizadas por outros, ou seja, as personalidades digitais, ao divulgarem determinada ideia ou produto são capazes de persuadirem seus seguidores a adotarem a mesma postura. Todavia, tal situação pode ser prejudicial, já que qualquer pessoa- mesmo sem preparo- pode se tornar “influencer”, o que pode culminar no aconselhamento infundado sobre o consumo, e, consequentemente, no imediatismo e na superficialidade, que impactam na maior produção de lixo e na degradação do meio ambiente. Dessa forma, as personalidades virtuais contribuem para transformar o consumo em consumismo e para maximizar problemas ambientais.
Em suma, os impactos dos influenciadores nas decisões de consumo necessitam de intervenção. Para isso, cabe a UNESCO, em parceria com as grandes plataformas e redes sociais internacionais, investir em campanhas de conscientização, por meio de anúncios e vídeos interativos, para melhor informar as populações a respeito do poder de persuasão dos influenciadores, desenvolver um senso de responsabilidade nos indivíduos e evitar o consumismo. Com essa ação é esperado mitigar os impactos negativos da influência no consumo e ampliar o potencial de redirecionamento de consumo.