Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 22/08/2021
A 4ª Revolução Industrial foi um processo de desenvolvimento tecnológico que aprimorou diversas tecnologias, como a internet. Na atualidade, tal recurso é utilizado por influenciadores digitais na venda e divulgação de produtos, o que impacta, normalmente, as decisões de consumo dos seus seguidores. Nesse contexto, é possível citar, dentre tais impactos, a redução da liberdade de escolha de muitos indivíduos acerca dos produtos que eles desejam adquirir, e o crescimento, por vezes, do consumo dessas pessoas. Logo, urge que essa conjuntura seja analisada criticamente.
Sob essa ótica, vale ressaltar que diversos indivíduos têm sua capacidade de decidir quais produtos comprar reduzida devido à ação desses influenciadores. Esse cenário pode ser explicado pela teoria do sociólogo Michel Foucalt sobre a “Microfísica do Poder”, na qual ele postula que as pessoas são capazes de exercer poder sobre outras, de forma que as coagem, sutilmente, a enquadrar seus comportamentos naquilo considerado a norma. À luz dessa perspectiva, nota-se uma realidade semelhante no que tange à influência que os profissionais da internet desse tipo detêm na maneira como muitos dos seus seguidores consomem, já que esses últimos são persuadidos a obter aquilo que os primeiros vendem como o ideal, e têm, portanto, seu livre arbítrio, nessa situação, dificultado.
Ademais, é notável que o aumento do consumo também é um impacto gerado pelos influenciadores digitais nas decisões relativas ao consumir de muitas pessoas. Nesse sentido, cabe trazer as ideias do filósofo Zigmund Bauman acerca da “Modernidade Líquida”, nas quais ele defende que, na atualidade, o consumo se dá de maneira exacerbada, pois os indivíduos descartam, facilmente, produtos considerados obsoletos para adquirir os que estão em alta no mercado. Sob esse prisma, é notório que esses influenciadores podem estimular a compra exagerada de mercadorias por parte dos usuários que os seguem, uma vez que esses seguidores são expostos a propagandas de diversos produtos de grande demanda produzidas pelos profissionais em questão, sendo, assim, influenciados à adquirí-los.
Em suma, é necessário que esse panorama seja contornado. Para tanto, é dever da mídia - como os veículos jornalísticos e as redes sociais - promover campanhas educativas acerca da problemática, que devem instruir os indivíduos sobre a relevância da construção das escolhas autônomas de consumo, e sobre as consequências negativas da aquisição exorbitante de produtos. Isso deve ser feito por meio da divulgação dessas campanhas nos próprios meios de comunicação - tendo em vista o largo alcance que estes proporcionam a elas - e tem o objetivo de incentivar as pessoas a adquirirem mercadorias baseadas nas suas opiniões, e de estimular um consumo mais consciente. Destarte, os recursos propiciados pela 4ª Revolução Industrial serão utilizados de forma mais benéfica por seus usuários.