Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 22/08/2021

No documentário estadunidense “O Dilema das Redes”, assiste-se depoimentos de ex-funcionários das magnatas redes sociais, como Google e Twitter, alertando sobre seu uso e o poder que elas têm de influenciar decisões dos seus usuários. Aliados a este poder, no Brasil contemporâneo, os influenciadores digitais impactam negativamente, em muitos casos, na escolha de consumo. Percebe-se isso pelo elevado número de posts de influenciadores patrocinando marcas e pelas diversas empresas que surgiram a partir das redes sociais que resultam em desilusão e consumismo.

Mormente, deve-se destacar as parcerias entre famosos digitais e firmas para tal desapontamento. Vale lembrar que não é raro ver posts de influenciadores apresentando produtos em seus perfis nas redes, a chamada “publi”, que beneficia tanto as celebridades virtuais, que ganham dinheiro em troca, quanto as empresas, que conseguem propagar suas mercadorias para um vasto público. Entretanto, muitos influenciadores não são sinceros e seus seguidores se decepcionam quando as compram. Em “O Dilema das Redes”, vê-se constantemente “publis” de tênis no celular do personagem Ben, que acaba tendo um armário cheio destes tênis que são pouco utilizados, entendendo-se que são de péssima qualidade. Consoante dados do site Metrópoles, tais propagandas somam 12,9 milhões só no Instagram e devem dobrar em 2018, acumulando 1,7 bilhões de dólares na economia. Isso mostra o quanto usuários são convencidos a comprar os produtos patrocinados.

Ademais, vale ressaltar a relação entre os influenciadores e o nascimento de marcas para tal consumismo. Comumente, após conquistarem uma grande audiência, é fácil levantarem uma empresa que lucrará muito, pois já têm seus consumidores: os seus seguidores, que serão influenciados a consumir sua mercadoria através de “publis” feitas por eles mesmos. Nota-se isso na famosa virtual Mari Maria, que abriu uma linha de maquiagens depois de ter feito sucesso nas redes sociais ensinando truques de maquiagem. Todavia, seus fãs podem não estar precisando daquele produto no momento e acabam sendo levados pela má influência a comprá-lo, tornando-se consumistas. Isso demonstra a importância de tais famosos no consumo dos influenciados.

Logo, as celebridades digitais influenciam negativamente na aquisição de bens materiais dos seus seguidores. Para tal realidade melhorar, as redes sociais, palco do problema, devem adotar uma política interna contra as “publis”, sejam de marcas de terceiros ou do próprio influenciador, impondo restrições para tal ação. Assim, diminuirá a sua circulação e, consequentemente, a insatisfação e consumismo dos influenciados e o desapontamento de Ben ficará só na ficção.