Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 22/08/2021

Zygmunt Bauman ao analisar o arranjo social no qual todos estão inseridos, afirma que o consumo muda a relação de como as pessoas se veem e de como projetam suas imagens para os outros. Analisando os consolidados meios de influência, a internet, junto da mídia tradicional, é exportadora de tendências, que possui como caminho ao consumidor, influenciadores digitais. Presentes em todas as redes sociais, jovens configuram um público alvo para ideias consumistas. Logo, é necessário compreender como isso impactará as gerações afetadas em suas decisões de consumo.

A priori, a necessidade de inserção e aceitação, como lembra Bauman, gera consequências de almejar produtos, perpetuando o que Karl Marx analisou, no século XVIII, como o fetichismo em mercadorias para o alcance da felicidade. A compulsão na compra pode levar ao comprometimento familiar por meio de uma quantidade excessiva de dívidas, sendo exemplificado pelo estudo do SPC Brasil, onde 46% dos inadimplentes admitem que poderiam ter evitado a dívida.

Com intuito de alcançar mais públicos consumidores, o marketing de influência é a parceria entre influenciadores digitais e marcas, com a venda da ideia de serem “gente como a gente”, e assim influenciar na aquisição. Consequentemente, segundo a Qualibest em um grupo analisado, 46% já consumiram um produto ou serviço a partir da influência digital, dado que confirma o papel de formação de opiniões que os produtores de conteúdo têm sobre seus consumidores. Sob a perspectiva da Escola de Frankfurt, analisa-se a criação de padrão de consumo e comportamento que leva a Indústria Cultural ao lucro, devido a demanda gerada pela padronização. Onde, segundo a pesquisa Shopper Compass, 82% dos compradores de roupas dão preferência às lojas com produtos que estão na tendência de uso.

Torna-se evidente assim a falta de senso crítico, o que é agravado quando jovens em processo de formação são os alvos. Portanto, para que os impactos sejam superados, faz-se necessário a educação financeira, pois cidadãos conscientes do capital serão menos tendenciosos ao consumismo. Com o intuito do desenvolvimento crítico, palestras ministradas por psicólogos em ambientes escolares e de trabalho, por meio da iniciativa pública do Ministério da Educação e da Saúde, darão início ao combate à romantização de ideias consumidoras.