Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 22/08/2021

A propaganda foi introduzida nas cidades inglesas para anunciar os produtos vendidos a partir da Revolução Industrial. Alguns séculos depois, todas as cidades do mundo são tomadas por anúncios em ruas, jornais, rádios e televisão. Entretanto, nos dias atuais, a maioria dos produtos e serviços são consolidados por meio das redes sociais, visto que, em 2017, o Instagram estimou que foram feitas cerca de 12,9 milhões de postagens de influenciadores digitais patrocinados por marcas. Logo, é preciso destrinchar os impactos que os orientadores digitais causaram nas relações de consumo e suas consequências sociais.

Diante desse cenário, entende-se que a exaltação exacerbada do estilo de vida digital fixa relações de controle entre os influenciadores e os influenciados. Segundo Foucault, a sociedade estabelece relações de poder entre os cidadãos para garantir dominância e disciplina dos indivíduos, ou seja, o tecido social propõe posições hierárquicas para manipular os menos favorecidos e engrandecer aqueles que estão no controle. Sob essa ótica, percebe-se que influenciadores digitais são frequentemente exaltados pelo estilo de vida que transpassam nas redes sociais, o que garante credibilidade e engajamento ao apresentar marcas ao seu público. Isso ocorre, em grande parte, devido à glamourização vista pelos internautas que especulam que, para conseguir o corpo perfeito e a família perfeita, por exemplo, precisam dos produtos oferecidos pelos influenciadores. Exemplo disso são as “pílulas de emagrecimento”, difundidas por influenciadores em parceria com grandes marcas, que atraem indivíduos que desejam desfrutar do mesmo corpo visto online e compram essas substâncias frequentemente danosas à saúde.

Consequentemente, percebe-se que a carência de pensamento crítico de alguns indivíduos desencadeia o consumo excessivo de produtos oferecidos por mediadores digitais. Aliás, sob a perspectiva de Hannah Arendt, a banalização do mal se dá, principalmente, pela irreflexão e falta de análise significativa do contexto em que os indivíduos são inseridos. Dessa forma, é possível depreender que o senso crítico precário de alguns cidadãos quanto aos produtos oferecidos por influenciadores leva a sedução para a compra de produtos que provavelmente não serão essenciais para sua convivência. Estima-se que, em 2018, o Instagram criou um mercado de cerca de 1,7 bilhões de dólares para postagens patrocinadas. Assim, é notório que um modelo consumista de sociedade é alimentado mediante às redes sociais, cujo objetivo empresarial é aproveitar da ingenuidade de seus consumidores para garantir lucro. Infere-se, portanto, a necessidade de medidas para alterar esse cenário. Isso posto, cabe às Secretarias Municipais de Educação -cuja função social é estruturar e efetuar atividades pedagógicas de âmbito municipal- organizar oficinas de debates que discutam as relações de consumo que influenciadores da internet estabeleceram na nova era digital, por meio de “workshops” com profissionais especializados no assunto, a fim de formar cidadãos atentos aos entraves do mundo da propaganda e venda de serviços e produtos online. Feitas essas ações, espera-se que os impactos de influenciadores digitais no mundo de consumo sejam apenas positivos.