Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 22/08/2021
Segundo a ‘‘Teoria do Agendamento’’, do jornalista Maxwell McCombs, a sociedade tende a discutir mais sobre aquilo que tem enfoque nos meios de comunicação. Nessa conjuntura, os influenciadores digitais, profissionais que atuam nas redes sociais, possuem um impacto relevante nas decisões dos demais sujeitos, sobretudo no âmbito do consumo exacerbado. Desse modo, a associação do consumismo à felicidade e a capacidade desses criadores de conteúdo em estabelecer relacionamentos com os seus seguidores impactam no consumo.
Nessa perspectiva, é válido reconhecer que os influenciadores digitais colaboram para a vinculação da satisfação aos bens materiais. Sob essa ótica, o curta-metragem ‘‘Happiness’’, de Steve Cutts, realiza uma crítica à sociedade atual, onde os padrões de consumo são constantemente aproveitados como um meio para se alcançar o bem-estar. Nesse sentido, tal cenário se mostra evidente no hodierno, visto que os ‘‘influencers’’, em parte significativa das vezes, utilizam as plataformas cibernéticas para a exposição ilusória de uma vida perfeita graças às compras, pois assim é garantida uma vivência repleta de artigos luxuosos, viagens, entre outros. Dessa forma, os seguidores desses profissionais se sentem, muitas vezes, convencidos daquela realidade exposta na mídia e, portanto, são levados à concepção de que para se alcançar o sucesso, tal como as figúras públicas, é necessário adotar um comportamento similar ao deles, isto é, de comprar.
Além disso, é notório a construção de uma conexão entre o influenciador e o persuadido. Nessa conjuntura, o sociólogo Zygmunt Bauman disserta sobre a ‘‘Sociedade do Consumo’’, onde os indivíduos se sentem parte de um grupo de acordo com o que consomem. Sob esse viés, é importante ressaltar que a rede social possibilita uma interação mais descontraída e recorrente entre os as veneradas personalidades e os seus admiradores e, por conseguinte, permite a criação de um vínculo entre ambos. Dessa maneiras, inseridos em um contexto onde as relações são pautadas pela consumação, como analisado por Bauman, esses cidadãos se encontram mais suscetíveis a comprar, a fim de se encaixar naquele grupo.
Portanto, é dever do Governo Federal conscientizar a população acerca do consumismo, por meio da realização de palestras em praças públicas que abordem a manipulação do usuário nas redes. Tal ação deve ser realizada com o fito de orientar os cidadãos nas dinâmicas do ciberespaço, para que assim, consigam discernir mais os conteúdos divulgados na internet. Assim, a influência dos meios de comunicação, como observado pela teoria de McCombs, será utilizada mais cautelosamente e, consequentemente, a sociedade irá prosperar.