Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 22/08/2021
Em meados da década de 1990, surgiram os primeiros criadores de conteúdo para internet, os chamados blogueiros. Indivíduos que criavam sites na rede e dissertavam sobre seus assuntos de interesse. Ao longo do tempo a tecnologia foi evoluindo e seus usuários também, fazendo com que o mercado consumidor tivesse um acesso cada vez mais fácil ao seu publico alvo por meio de seus comunicadores digitais. Entretanto, há alguns casos onde esse tipo de impacto/influência propagado expõe o comprador a certos tipos de perigos ou vexames sociais.
Durante o colapso no sistema hospitalar de Manaus em março deste ano, foi-se descoberto que o Ministério da Saúde havia desembolsado mais de 1,3 milhões de reais dos cofres públicos para influenciadores digitais “propagandearem” o tratamento precoce, que já foi confirmado por médicos e especialistas ser ineficaz contra a COVID-19. Esse tipo de conteúdo é um perigo nocivo aos usuários das redes, pois não somente os deixa a mercê de notícias falsas, como também faz com que a população se deixe enganar mais propicialmente a essas falcatruas, já que de certo modo elas derivam de fontes consideradas confiáveis por aquele indivíduo. De acordo com uma pesquisa realizada pelo portal G1, sete em cada dez brasileiros acreditam e disseminam as fake news que recebem, o que equivale a mais de 70% da população. Os cidadãos questionam a credibilidade de fontes comprovadamente confiáveis, contudo se baseiam em “informações” compartilhadas por criadores de conteúdo para internet sem alvará algum para falar sobre o assunto.
Por outro lado, esta busca das grandes empresas pelos influenciadores digitais pode também trazer grandes visualizações a pautas sociais importantes. Em sua última campanha divulgada, a marca de cosmética Avon juntou um grupo de personalidades da internet onde cada um dos integrantes representava algum tipo de minoria desfavorecida pelos padrões da sociedade, como negros, deficientes e pessoas da comunidade LGBTQIA+. A estratégia denominada “olha de novo”, engaja discussões e debates sobre olhar fora dos padrões e aceitar cada qual como se é.
Sendo assim, fica clara a necessidade de tomar medidas para com esse impasse. Cabe ao Ministério da Educação em parceria público-privada com as mídias sociais, promover propagandas e alertas que evidenciem a vulnerabilidade dos brasileiros em relação ao uso das redes, através de exemplos que deixem explícitos os malefícios da influência duvidosa de personalidades digitais relacionadas ao consumo. É vital também, que influenciadores proponham em seus contratos com empresas ideias de divulgações inclusivas e revolucionárias, abrangendo um maior público, ao agregar tipos diversificados de causas sociais a suas campanhas publicitárias.