Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 22/08/2021

A indústria cultural, conceito criado pelos filósofos Adorno e Horkheimer, fala sobre a manipulação da sociedade de consumo por meio da disseminação cultural em massa através dos meios de comunicação. Do mesmo modo, a realidade de influenciadores digitais vivida no hodierno dita os padrões de consumo da sociedade. Dessa forma,  os criadores de conteúdo digital geram grandes impactos negativos no corpo social, como consumismo desenfreado e a inserção de crianças no mercado consumidor. Portanto, é preciso discutir tal problemática.

A princípio, é necessário ressaltar que influenciadores digitais exercem poder sobre o consumo dos indivíduos. De acordo com o sociólogo alemão Karl Marx, o fetichismo da mercadoria ocorre quando há a compra de produtos  com o objetivo de adquirir uma felicidade momentânea e ilusória, sem real necessidade. Nesse sentido, esses influenciadores corroboram para a ocorrência desse fenômeno social, uma vez que divulgam produtos em massa e pregam um estilo de vida baseado no materialismo como o ideal de felicidade e realização levando sua audiência a buscar esse ideal por meio do consumismo exacerbado. Desse modo, deve-se haver uma mudança nesse cenário.

Além disso, também é preciso analisar a integração de crianças ao mundo consumidor que ocorre cada vez mais frequente devido a influência de criadores de conteúdo digital. Como exemplo, há os youtubers Lucas Neto e Felipe Neto, que incentivam para o público infantil, em seus conteúdos, consumo dos produtos de sua marca e dos seus patrocinadores . Assim, tal tipo de conteúdo dita as decisões de consumo das crianças, podendo gerar problemas como consumismo e transtornos mentais. Com isso, é perceptível a necessidade de medidas para mudar essa realidade.

Portanto, analisando a situação fica notória a necessidade de reverter-la. Para tal, o Estado,junto aos meios de comunicação e publicidade, deve realizar campanhas que busquem conscientizar a população sobre como seus padrões de consumo são ditados por influenciadores digitais e como isso é nocivo à sociedade, afim de diminuir o consumismo compulsório. Ademais, cabe ao Estado alertar os pais de crianças sobre a influência negativa gerada que incentiva o consumismo pelos produtores de conteúdo infantil, através de campanhas e palestras nas escolas e na mídia com a finalidade de proteger esse menores.